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Riesling: uma uva que deixou o Brasil traumatizado – 13/03/2025 – Isabelle Moreira Lima
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Há pelo menos cinco décadas de trauma nacional com a uva riesling, que é celebrada internacionalmente nesta quinta-feira (13). A cepa de origem alemã desembarcou por aqui com força nos anos 1970, embalada em compridas garrafas azuis.
Era um vinho docinho, fácil de beber mas de qualidade duvidosa que deixou marcas indeléveis na memória brasileira graças a seu potencial avassalador de ressaca. O nome Liebfraumilch é responsável por uma geração de narizes torcidos para a nobre uva branca do Reno.
Peço licença para tentar reverter esse trauma. Uma maçã (ou uva) podre, afinal, não deveria nos afastar de uma cesta inteira de maravilhas. A riesling é uma casta que tem como principal e incontestável característica a acidez, que deixa os vinhos muito vivos, frescos e longevos. Os estudiosos dizem que um bom riesling dura tanto ou mais que os grandes Bordeaux. E aí suas notas evoluem para coisas fantásticas: de cítricas, por exemplo, podem passar para mel, amêndoas e caju.
Essa acidez também permite que se produza vinhos com todas as gradações possíveis de açúcar. Então, se você prefere os secos, a dica é encontrar o nome trocken nos rótulos alemães. Sugiro também descartar preconceitos contra as tampas de rosca, que são muito eficientes para a conservação de vinhos brancos e muito utilizadas por produtores alemães e outros que produzem vinhos com a uva.
Outro ponto importante é que a riesling é uma ótima tradutora de terroir. Apesar da origem alemã, é hoje plantada no mundo inteiro, do Canadá ao Uruguai, da China ao Brasil. Suas expressões mais clássicas e notáveis estão na Alemanha, onde costuma ter os índices de acidez mais altos, considerando o clima frio do país. Na Alsácia francesa ela é também exemplar; lá costuma ser mais exuberante e gordinha.
Mas talvez a coisa mais diferentona da riesling seja suas notas de petróleo, pedra de isqueiro, querosene, os chamados aromas empireumáticos. Os rieslings em que essa característica é mais pronunciada são os prováveis responsáveis pela moda da mineralidade. Mas essa uva pode trazer muitas outras características, notas florais, frutadas e até de especiarias, a depender de onde ela cresce.
Ela também é boa de acompanhar comida, vai bem com muitos dos pratos que amamos por aqui: sushi e receitas asiáticas condimentadas, peixes e frutos do mar, porco e outros defumados… a lista é longa e variada. E uma informação de bônus: muitos dos rieslings que encontramos por aí têm baixa gradação alcóolica, em torno dos 11%.
A quem se animou a provar, sugiro o exercício que fiz logo que comecei a estudar vinhos: reuni amigos para que cada um trouxesse uma garrafa de riesling de uma origem diferente, como Alemanha, França, Nova Zelândia, Estados Unidos, Chile, Brasil. Gerou um aprendizado fabuloso.
Vai uma taça?
Uma boa notícia: não há dificuldade em encontrar ótimos vinhos feitos com riesling por aqui. A importadora Weinkeller tem um portfólio dedicado aos vinhos alemães e promove nesta quinta uma grande promoção com descontos, incluindo rótulos raros.
Na categoria mais premium, recomendo o Wittmann Riesling 100 Hügel (de R$ 230 por R$ 174 na Weinkeller), um dos mais elegantes que provei recentemente, complexo na boca por unir salinidade à untuosidade e muito longo. Na mesma linha, os alsacianos Domaine Rominger Alsace Riesling (R$ 314 na Belle Cave) e o Dopff au Moulin Riesling Cuvée Europe 2022 (R$ 350 na Mistral) são absurdos de bons: exuberantes, ainda que guardem elegância.
Mais descontraído é o OH01 Riesling Dry (R$ 119 na Casa Flora), que é cítrico, muito fresco e vai fazer você desconfiar que a garrafa estava furada tamanha sua drinkability. Lançamento deste ano,o Ponto Nero Enjoy Riesling Renano (R$ 119 na loja online da vinícola) é um dos raros exemplares de espumante nacional feito com a casta.
Delicioso, tem acidez que parece capaz de cortar os dentes e uma pontinha de açúcar discreta no final. O australiano Angove Long Row Riesling (R$ 99 na World Wine) é uma grata surpresa, fácil de beber, mineral e cítrico. Há ainda o chileno Adobe Riesling (R$ 65 na Divinho), de preço mais amigo do bolso de todos.
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Proint realiza atividade sobre trabalho com jovens aprendizes — Universidade Federal do Acre
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7 de maio de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint), da Ufac, promoveu um encontro com jovens aprendizes para formação e troca de experiências sobre carreira, tecnologia e inovação. O evento ocorreu em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em 28 de abril, no espaço de inovação da Ufac, campus-sede.
Os professores Francisco Passos e Marta Adelino conduziram a atividade, compartilhando conhecimentos e experiências com os estudantes, estimulando reflexões sobre o futuro profissional e o papel da inovação na construção de novas oportunidades. A instrutora de aprendizagem do CIEE, Mariza da Silva Santos, também acompanhou os participantes na ação, destacando a relação entre formação acadêmica e experiências no mundo do trabalho.
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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre
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5 de maio de 2026A professora do campus Floresta, Maria Cristina de Souza, que também é curadora do Herbário em Cruzeiro do Sul, esteve, de 9 a 15 de abril, no Museu de História Natural de Paris, representando a Ufac. Ela conduziu, em francês, conferência sobre a diversidade e a riqueza da região do Alto Juruá e realizou visita técnica, atualizando amostras das coleções de palmeiras (Arecaceae) do gênero Geonoma. As atividades tiveram apoio dos pesquisadores Marc Jeanson, Florent Martos e Marc Pignal.
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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre
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30 de abril de 2026O professor Rafael Coll Delgado, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, da Ufac, participou como coautor do artigo “Interações Clima-Vegetação-Solo na Predição do Risco de Incêndios Florestais: Evidências de Duas Unidades de Conservação da Mata Atlântica, Brasil”, o qual foi publicado, em inglês, na revista “Forests” (vol. 15, n.º 5), cuja dição temática foi voltada aos desafios contemporâneos dos incêndios florestais no contexto das mudanças climáticas.
O estudo também contou com a parceria das Universidades Federais de Viçosa (UFV) e Rural do Rio de Janeiro e foi desenvolvido no âmbito do Centro Integrado de Meteorologia Agrícola e Florestal, da Ufac, como resultado da dissertação da pesquisadora e geógrafa Ana Luisa Ribeiro de Faria, da UFV.
A pesquisa analisa a interação entre clima, solo e vegetação em unidades de conservação da Mata Atlântica, propondo dois novos modelos de índice de incêndio e avaliando sua capacidade preditiva sob diferentes cenários do fenômeno El Niño-Oscilação do Sul. Para tanto, foram integrados dados climáticos diários (2001-2023), índices de vegetação e seca, registros de focos de incêndio e estimativas de umidade do solo, permitindo uma análise dos fatores que influenciam a ocorrência de incêndios.
“O trabalho é fruto de cooperação entre três universidade públicas brasileiras, reforçando o papel estratégico dessas instituições na produção científica e no desenvolvimento de soluções aplicadas à gestão ambiental”, destacou Rafael Coll Delgado.
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