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Roubança, antes, durante e pós-Copa; do Acre ao Rio Grande do Sul

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Mesmo ligado no futebol, povo se choca com mais casos de corrupção.

É notório que quase nada se comente ou se faça a respeito de corrupções de governos estaduais por empreiteiras e firmas de engenharia, do Acre ao Rio Grande do Sul’, diz especialista.

Na foto de capa, Agentes da Polícia Federal durante ações da Operação Prato Feito – Folhapress.

A revelação contínua de bandidagens no governo de Michel Temer e da participação de grandes empresas e altos executivos em piratarias tem causado choque até nestes dias em que nos sedamos temporariamente com a Copa. Chicanas no alto Judiciário e a atitude relaxada em relação a gente muito suspeita apimenta a raiva e a desesperança populares.

Não está fácil sustentar o velho clichê de que a impunidade propicia a corrupção: a punição parece inócua.

O risco agora algo maior de ser flagrado, processado e de passar um tempo na cadeia não tem tido efeito dissuasivo suficiente.

Talvez alguém diga que as penas ainda tenham alcance e força restritos.

No limite, a amputação de membros, a guilhotina ou a forca talvez inibissem os sociopatas da roubança.

Esta última frase poderia ser apenas sarcasmo de mau gosto sinistro.

Não é bem assim, pois serve também de metáfora para os desejos de parte da população, cada vez mais encantada com ideias ignorantes, violentas e autoritárias para lidar com a insegurança e a desordem política. Basta ler as pesquisas eleitorais.

Sim, ainda persistem muitas de outras condições que incentivam ou elevam a propensão a saquear o Tesouro público.

Além de cana, é preciso uma reforma demorada do Estado, de suas relações com empresas e também mudança na Justiça lenta e arbitrária.

Mas, para a percepção popular, pouco parece mudar; é preciso varrer todos os que estão aí ou uma intervenção autoritária.

O processo do mensalão tem mais de dez anos. Em 2007, o Supremo aceitou a denúncia de 40 mensaleiros pela Procuradoria-Geral da República. As duas dúzias de condenações têm quase seis anos. A festa continuou, porém.

Mesmo sob a Lava Jato, que tem mais de quatro anos, a gangue dos Odebrecht e a dos Batista Friboi corrompiam de modo sistemático, para citar os mais notórios. No governo Temer, rouba-se do INSS ao ministério do Trabalho, diz a polícia e suspeita um ministro do Supremo. O ex-secretário-geral do Governo, Geddel Vieira Lima, fazia mutretas no cargo e é um presidiário de longa duração, como outros caídos da cozinha temeriana.

O que foi o maior partido de esquerda, o PT, trata seus corruptos calados como heróis. O tucanistão, São Paulo, mas não só, protege a bandalha do PSDB com processos de lerdeza escarninha.

Ex e futuros presidiários comandam partidos do centrão, cortejados para alianças eleitorais decisivas.

É notório que quase nada se comente ou se faça a respeito de corrupções de governos estaduais por empreiteiras e firmas de engenharia, do Acre ao Rio Grande do Sul.

Viveriam em odor de santidade, ao contrário das grandes irmãs que contribuíram para a destruição do país?

De mais recente, quem frequenta as redes insociáveis pode notar que voltou a se disseminar a ideia de que progride um acordão; que os doleiros presos (alguns nem isso) serão protegidos por terem o que dizer “dos ricos”.

Portanto, é fácil entender que, na economia política popular, a falência do país se deva à corrupção descarada, não à administração macroeconômica inepta.

Dadas a bandalheira persistente e aparente ineficácia do devido processo judicial, a esta fantasia vai se juntando a ideia de uma solução de força, “fora da política”, “sem partido”. É óbvio e assustador. Quem liga? As elites opinionadas e a casta política, alienada ou em parte sociopata, não parecem se comover.

Vinicius Torres Freire

Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA); vinicius.torres@grupofolha.com.br

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ACRE

Políticos adotam atitudes eleitoreiras durante a Covid-19 e matam a economia

Bakunin Acriano, o Eremita, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Eremita

Eis que saio de minha caverna e descubro que a população precisa seguir meu exemplo e realizar um longo isolamento. O motivo é a pandemia por coronavírus, diferente dos meus motivos que incluem a falta de paciência com político incompetente contando lorota.

Incompetência I

Falando em política incompetente, a prefeita Socorro Neri deu um tiro no próprio pé ao ter decretado rodízio. Críticas silenciosas choveram e a população que realmente move a economia de Rio Branco odiou. Agora, os eleitores precisam lembrar desse abuso de autoridade durante o pleito.

Incompetência II

Por falar em rodízio, você, meu único leitor, notou que houve uma explosão de casos notificados pela Covid-19 durante essa limitação determinada por numeração das placas dos veículos? Será que os casos aumentaram graças as aglomerações em terminais e coletivos?

“Pra-lamentar” I

Vereadores criticaram o presidente da Fecomércio, Leandro Domingos, por cobrar das “excelências” mais atitudes. Os caras engravatados ficaram de mimimi, mostrando que eles são amadores e incompetentes. Eles, durante esta crise, não fizeram nada mesmo, nem reduziram os próprios gastos e nem cortaram os próprios salários para ajudar na contenção de despesas. Isso é “pra-lamentar”.

“Pra-lamentar” II

O desaforo também vai para os deputados que também não apitam nada. Apenas jogam para o público ideias mirabolantes, principalmente o comunista Edvaldo Magalhães, que na farra defendeu a suspensão do pagamento de empréstimos consignados por servidores. É preciso lembrar que o servidor não teve suspensão e não teve a redução dos salários. O resultado é que ele empurrou uma bomba para o povo, porque a legislação permite que os bancos cobrem juros e multas pela falta do pagamento. É muita atitude eleitoreira e incompetente.

Governador “Magrim”

Nosso governador Gladson Cameli, “o magrim”, está precisando de um bom caldo de feijão, está abatido, mas continua com atitudes eleitoreiras. Ele precisa lembrar que a eleição será realizada apenas em 2022. Assim não pode, magrim.

Reabertura

Essa reabertura dos comércios é necessária e urgente. Pena que falta articulação por parte do governo em garantir a retomada da economia. É sabido que para a retomada da economia é preciso ter vagas nos hospitais, mas a promessa de um hospital de campanha vem desde fevereiro.

Estou voltando a datilografar. Aguarde novos textos e notas semanais para apimentar nossa comuna.

Conheça Bakunin Acreano.

E-mail: bakunin.acreano@protonmail.ch

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ARTIGOS

Em cidade pequena tudo é pequeno, menos a língua do povo

Folha de São Paulo, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Entre boatos e fofocas, população vira fiscal de casos de coronavírus.

Interiorização da Covid-19 leva a vigilância crescente de pessoas doentes e de situações contrárias ao isolamento.

Diz o ditado que em cidade pequena tudo é pequeno, menos a língua do povo. A expressão ganha evidência em tempos do novo coronavírus, quando comportamentos outrora considerados normais, como festas, churrascos e almoços entre amigos e familiares, se tornaram ilegais ou, ao menos, moralmente reprováveis.

Pelo interior do país, a própria população se tornou fiscal das atitudes alheias: “Fulano está com Covid-19”, “Beltrano furou a quarentena” ou “Sicrano foi visto numa festa” viraram assuntos crescentes nas rodas de conversa, agora restritas às redes sociais e aplicativos de mensagens.

Com a doença se espalhando cada vez mais capilarmente por cidades pequenas, a mistura de informações verdadeiras com boatos parece destinada a crescer. Em especial em municípios onde são raros ou inexistentes os veículos de comunicação para checar os fatos e desmentir as fofocas.

Onde todo mundo se conhece, a identidade das pessoas é facilmente exposta, levando a episódios em que moradores são hostilizados pessoalmente ou nas redes sociais.

Foi o que ocorreu em Mallet, cidade de 13.630 habitantes no centro-sul do Paraná. No início de maio, quando foi registrado o primeiro caso de coronavírus no município, a identidade da pessoa contaminada, um homem de 60 anos, foi logo parar nos grupos de WhatsApp.

O homem foi acusado de ter levado a doença para a cidade após voltar de uma viagem a Minas Gerais.

Não demorou para conhecidos relatarem que o viram passeando pelo comércio local, sem máscara. A família passou a ser hostilizada depois de reunir pessoas para o aniversário do filho, ainda quando o morador não apresentava sintomas da doença.

A mulher do idoso afirmou que pessoas começaram a fiscalizar o isolamento da família. Com a comoção, ela se viu forçada a prestar esclarecimentos publicamente.

“A partir do momento em que o resultado deu positivo, por ser um local pequeno, divulgaram nosso endereço e informações da nossa família, diferente de outras cidades em que pessoas que tiveram casos confirmados tiveram dados preservados”, reclamou a mulher em entrevista a uma rádio local.

Não foi muito diferente do que ocorreu em Prudentópolis. Na cidade de 52.241 habitantes, também no centro-sul do Paraná, uma lista com os nomes de 150 convidados de uma festa clandestina realizada no sábado anterior ao Dia das Mães viralizou em mensagens.

Dias depois de participar da balada, uma jovem fez um exame em um laboratório particular e o laudo foi positivo para a Covid-19. Nas redes sociais espalhou-se a informação de que ela teria se infectado em Curitiba e levado a doença para o interior. Rapidamente, ela virou alvo de ataques e chacota dos moradores e teve que usar uma mídia social para se defender.

“As pessoas estão falando que eu levei o vírus de Curitiba para Prudentópolis, só que eu estava em Prudentópolis há um mês e meio. Eu cheguei em Curitiba segunda-feira [11] e fiz o exame quarta-feira [13]. Fui fazer os meus exames de rotina e aproveitei para fazer o exame do coronavírus. Não esperava por isso”, lamentou.

A publicação expôs ainda mais a história, mas permitiu que pessoas que tiveram contato com a jovem tomassem as devidas precauções sanitárias. Além disso, a prefeitura teve que agir, determinando o isolamento domiciliar por 14 dias para 94 moradores, que estão sendo monitorados pelas equipes de saúde. O município proibiu qualquer evento com mais de dez pessoas.

A jovem fez novo exame em um laboratório credenciado, na sexta-feira (22), e essa contraprova deu resultado negativo para a Covid-19.

Imagens de uma festa regada a bebidas alcoólicas também acabaram nas redes sociais e levaram a uma ação do Ministério Público contra um enfermeiro em Wenceslau Braz, cidade de 19.414 habitantes no norte do Paraná.

O homem, servidor do município, teve contato com uma pessoa infectada pelo novo coronavírus e recebeu notificação de isolamento domiciliar como medida preventiva.

Ele, porém, descumpriu a medida para participar da festa na casa de uma amiga. Por determinação da Justiça, ele deve manter o isolamento até o dia 24 de maio sob pena de multa de R$ 5.000.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade de 47.673 habitantes no interior de São Paulo, informações falsas sobre o estado de saúde de uma mulher internada no hospital da cidade com sintomas do novo coronavírus circularam no WhatsApp. Um áudio anônimo dava conta que ela ia morrer, mas tudo não passava de um boato.

A mulher, que é médica, realmente recebeu diagnóstico de Covid-19 na metade de março, após voltar dos Estados Unidos com o marido, também médico, mas seu quadro não era grave. Assim que se recuperou da doença, ela gravou um áudio para desmentir as fofocas.

Apesar de reconhecer que o caso tomou uma proporção não justificada, o secretário de comunicação local, Cláudio Antonioli, avaliou como “interessante a participação da população” em fiscalizar. “Mas aqui é mais denúncia de aglomeração, de comércio aberto. Isso o pessoal tem denunciado mais do que as próprias pessoas com o vírus”, contou.

Na sutil linha que divide privacidade e interesse público, o Ministério Público Federal do Acre se manifestou a favor da exposição em redes sociais de pessoas que promovem festas, reuniões e descumprem isolamento social.

O ato de denunciar ou expor pessoas “é protegido pelo dever republicano inerente a todos os cidadãos e pelo direito à liberdade de expressão”, afirmou o procurador Lucas Costa Almeida Dias. Por Katna Baran.

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