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The Sound of Utopia, da crítica de Michel Krielaars – os músicos perseguidos por Stalin | Livros de história

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Kathryn Hughes

Tele é fato que José Stálin amava música e acreditava que ela era importante, era ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição para os homens e mulheres que a criaram. Se o seu trabalho fosse favorecido, você seria tratado como um deus secular com todos os enfeites – apartamento palaciano, boa comida e liberdade para vagar até o Ocidente decadente (assumindo que você voltasse quando fosse chamado).

Mas para aqueles que ofendiam os gostos arbitrários e mutáveis ​​de Estaline a questão era outra. O Pai das Nações regularmente tirava um tempo da sua ocupada agenda de assassinatos para examinar cada novo disco de música clássica que chegava à sua mesa, anotando na capa se era “bom”, “mediano” ou “lixo”. Uma classificação ruim poderia lhe render uma passagem pelo gulag ou, se houvesse circunstâncias agravantes (homossexualidade, por exemplo), uma bala na nuca. Foi calculado que 68 compositores foram enviados para a Sibéria durante o reinado de terror de 30 anos de Stalin. Centenas de outros artistas musicais, desde compositores virtuosos a pássaros canoros populares, passando por segundos violinistas, foram relegados ao esquecimento quando os rastos de papel que lhes diziam respeito foram deliberadamente destruídos.

Neste livro revelador, o jornalista holandês Michel Krielaars procura os músicos que prosperaram e fracassaram (ou ambos) sob Stalin. Embora eles próprios já tenham morrido há muito tempo, os seus filhos e netos estão ansiosos por falar, não tanto para esclarecer as coisas, mas para construí-las do zero. Esses idosos guardiões da chama chegam para seu encontro com os Krielaars carregando cartas com orelhas, recortes de jornais borrados e velhas gravações de vinil sibilantes que testemunham um gênio há muito silenciado. Krielaars, que trabalhou como correspondente de jornal em Moscovo entre 2007 e 2012, fala russo e conhece os pontos sensíveis da cultura, especialmente agora que Putin está a reviver o manual soviético de violência e silêncio.

Qualquer relato da música sob Stalin deve começar com Sergei Prokofiev. Tendo visto as consequências caóticas da revolução ao estabelecer-se no Ocidente, o prolífico compositor e pianista permitiu-se ser convencido a regressar à União Soviética em 1936. Ele não tinha alcançado o estrelato internacional que considerava devido – o Os americanos preferiam o estilo modernista extravagante de Stravinsky – e Estaline estava desesperado para atrair o maestro para casa e mostrar ao mundo que a utopia comunista era um paraíso para artistas inovadores. Prokofiev recebeu boas-vindas de herói, uma série de encomendas, um luxuoso apartamento de quatro cômodos e permissão para importar um carro Ford particularmente chamativo.

Inicialmente, o compositor manteve a sua parte no acordo, escrevendo no Pravda sobre a sua ânsia de avançar em direcção a uma “nova simplicidade” musical, longe da polifonia cosmopolita das suas obras anteriores. Em 1939, chegou ao ponto de escrever o repulsivo Zdravitsa (Salve Stalin) para comemorar o 60º aniversário do ditador. Porém, não foi suficiente para manter Prokofiev seguro e, em 1948, ele foi acusado de “formalismo”, que foi definido como a produção de “combinações neuropatológicas confusas que transformam a música em cacofonia”. Ele morreu quatro anos depois, no mesmo dia que seu ditador.

Grande parte da ansiedade enfrentada por Prokofiev e milhares de outros surgiu do fato de nunca sabermos onde estávamos. As palavras distorceram-se e mudaram de significado, princípios fixos acabaram por ser escritos na água e a batida à porta pode vir a qualquer momento. Shostakovich, inimigo de longa data de Prokofiev, foi condenado em 1948 pelo temido “formalismo”, mas no final daquele ano foi homenageado com o título de Artista Popular da República Socialista Federativa Soviética Russa. Seguiram-se três prêmios Stalin por sua música para cinema.

As histórias sobre nomes menos familiares são ainda mais comoventes. Quando Vsevolod Zaderatsky morreu poucos meses depois de Prokofiev e Stalin, ninguém percebeu. Ele havia apagado seu caderno muito cedo, com um breve período ensinando piano ao pequeno czarevich Alexei. Formalmente identificado como contra-revolucionário em 1926, todos os manuscritos de Zaderatsky foram destruídos. Depois de cumprir algumas penas de prisão, ele cerrou os dentes e escreveu uma ópera chamada Blood and Coal. Mas não foi suficiente e, em 1937, Zaderatsky foi acusado de produzir “propaganda para música fascista” (em outras palavras, interpretando Strauss). Enviado para o gulag, ele compôs músicas mentalmente, escreveu-as em pedaços de papel usado e, ao ser solto, transformou o melhor deles em 24 Prelúdios e Fugas para Piano. Nenhum foi publicado ou ouvido durante sua vida, embora você possa assistir a uma rara apresentação recente no YouTube.

Zaderatsky veio da Ucrânia, aquela potência cultural e artística que produziu tantos dos músicos que aparecem em The Sound of Utopia. Além de Prokofiev, há Sviatoslav Richter, Heinrich Neuhaus e Klavdiya Shulzhenko, também conhecida como “a russa Vera Lynn”, que cantou seu caminho através de composições como Brick Factory Song e Mine Shaft No 3. Nessas circunstâncias, é apenas apropriado que Michel Krielaars termina o seu livro alertando que a música russa está mais uma vez a ser usada como arma contra a Ucrânia por um ditador político com ouvidos pequenos. Em 2022, poucos dias após a invasão, um concerto em Moscovo com uma obra do ucraniano Valentin Silvestrov foi interrompido quando a polícia russa invadiu o palco e gritou para todos irem para casa. Silvestrov vive agora no exílio.

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The Sound of Utopia: Musicians in the Time of Stalin, de Michel Krielaars, é publicado pela Pushkin (£ 25). Para apoiar o Guardian e o Observador, encomende o seu exemplar em Guardianbookshop. com. Taxas de entrega podem ser aplicadas.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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