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Trump vs Harris: misoginia americana nas urnas | Eleições dos EUA 2024

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O movimento “Make America Great Again (MAGA)” de Donald Trump é um culto machista. Sugere que os EUA só poderão ser “grandes novamente” se os homens americanos modernos aprenderem a ser “homens viris” fortes como os seus pais e avós, afirmarem o domínio sobre as “suas” mulheres e “retomarem o controlo” – seja lá o que isso signifique. Incentiva os homens a esconder os seus sentimentos, a aderir a estereótipos sexuais arcaicos, a usar a violência para progredir na vida e a seguir conselhos não de especialistas e entes queridos, mas dos chamados “machos alfa” famosos, como o podcaster Joe Rogan ou o bilionário X. proprietário (e agora principal apoiador de Trump) Elon Musk.

Este movimento tóxico, construído com base na promessa de devolver a América a uma era de ouro imaginada, quando as mulheres conheciam o seu lugar e, portanto, a vida era alegre para todos, infelizmente deu o tom para as próximas eleições presidenciais na nação mais forte do mundo. Vivemos agora numa realidade em que milhões e milhões de homens americanos (e um número nada pequeno de mulheres) parecem ver Donald Trump como o epítome da força masculina, e ele sendo eleito presidente pela segunda vez como a única resposta para os muitos problemas do país.

O ex-presidente e estrela de reality shows tem um histórico de insultar e menosprezar as mulheres nas redes sociais e na televisão. Ele faz rotineiramente comentários grosseiros e ofensivos sobre mulheres proeminentes, especialmente sobre mulheres que falam publicamente contra ele em seus comícios televisionados, com a participação de milhares de pessoas. Ele critica a sua aparência física, insulta as suas famílias e até as suas escolhas reprodutivas. Pelo menos 26 mulheres o acusaram de má conduta sexual e agressão. Essas alegações remontam à década de 1970 e incluem estupro, beijos indesejados, apalpadelas e voyeurismo. No ano passado, um júri num julgamento civil considerou-o responsável por agressão sexual e recompensou o seu acusador em 5 milhões de dólares. Trump nega todas as acusações, mas, mesmo assim, o seu desdém pelas mulheres é óbvio para qualquer pessoa que preste um pouco de atenção às suas palavras e conduta. Até mesmo o seu vice-presidente, JD Vance, é um misógino declarado, que insulta os seus rivais democratas chamando-os de “gatas sem filhos”. Como presidente, Trump nomeou os juízes que acabaram por anular o caso Roe v Wade e deixaram as mulheres americanas em muitos estados sem controlo significativo sobre os seus corpos e vidas.

Num mundo são, este historial de misoginia e machismo violento seria suficiente para garantir que Trump nunca mais tenha hipóteses de se aproximar da Casa Branca. Mas não estamos vivendo em um mundo são.

O movimento MAGA enquadrou toda a eleição em torno de estereótipos sobre a masculinidade. Eles alegaram que tudo se resume à resistência física, à vontade de infligir violência aos inimigos e a ser um “macho man” em geral, e aparentemente conseguiram convencer um número suficiente de pessoas a terem uma boa chance de vencer esta eleição.

O que isso nos diz sobre a sociedade americana?

Nos últimos meses, vimos repetidamente a principal rival de Trump, a vice-presidente democrata Kamala Harris, ser atacada não pelas suas posições políticas e conduta no cargo, mas pela sua “história sexual”. Ela foi acusada de ser “promíscua” na juventude e de ter “dormido até chegar ao topo”. O comentarista e cineasta conservador Matt Walsh postou no X que Harris “fez carreira implorando por esmolas de homens poderosos”, e a apresentadora da Fox News, Megyn Kelly, descreveu esses comentários como úteis para os eleitores e perfeitamente “jogo justo”. Claro, estes não são nada além de rumores infundados – a velha história de fofocas infundadas sendo usadas como arma contra uma mulher de sucesso. E mesmo que fossem verdade, seu histórico de relacionamento pessoal não teria qualquer impacto sobre como Harris faria o trabalho, nem a diferenciaria de Trump – um conhecido adúltero em série e abusador de mulheres que chegou onde está na vida graças ao dinheiro da família. e conexões.

Além da misoginia comum focada na suposta promiscuidade, os apoiadores “machos” de Trump também acusaram Harris de ser um “destruidor de lares” (devido a um relacionamento anterior com um homem que na época estava separado, mas ainda não divorciado , de sua esposa); de realmente ser um homem que fez a transição para viver como mulher (isto é difícil de decifrar, mas talvez a sugestão seja que ela não teria tido tanto sucesso na política se fosse uma mulher nata?); e de “não ter interesse no futuro do país” por não ter filhos biológicos. Harris, filha única de um casal de imigrantes negros e do sul da Ásia de primeira geração, também foi acusada de não ser negra o suficiente (porque ela é metade sul-asiática), de não ser sul-asiática o suficiente (porque ela é metade negra!) e não ser americana o suficiente (porque nasceu de pais imigrantes).

No geral, ao longo da temporada de campanha, o movimento MAGA parecia defender que Harris não deveria ser eleita presidente porque, como mulher, ela é moral, física e emocionalmente fraca e não está equipada para liderar a nação americana “forte e viril” em neste momento de crise e dificuldades.

Olhando para o aparente sucesso da atual campanha de Trump – apesar de todos os seus escândalos e 34 condenações criminais, Trump permanece lado a lado com Harris em todas as últimas pesquisas – e sua chocante vitória em 2016 contra a potência política que é Hillary Clinton, alguns começaram a sugerir que talvez a América ainda não esteja pronta – e nunca estará pronta – para eleger uma mulher como líder.

Embora estes pessimistas estejam sem dúvida certos sobre a misoginia e o sexismo da sociedade norte-americana, e sobre a difícil batalha que as candidatas mulheres enfrentam na política americana, eles parecem estar a ignorar dois factos importantes. Um, Clinton, que carregava uma bagagem política muito mais pesada do que Harris, apesar de ter perdido o Colégio Eleitoral, ganhou o voto popular em 2016. E dois, este ano, apesar de toda a misoginia, das calúnias e dos insultos, Kamala Harris não fica atrás. nas urnas e tem uma chance muito real de vencer esta eleição.

Claro, a maioria dos homens (especialmente os homens brancos) parece estar a apoiar o machismo de Trump e a apoiá-lo (uma sondagem de Outubro realizada pela Economist/YouGov mostrou que Trump tem uma enorme vantagem de 52% a 43% sobre Harris entre os eleitores masculinos). Mas as mulheres, que estão bem conscientes de quão prejudiciais foram os quatro anos de Trump para os seus direitos, também estão a apoiar Harris. De acordo com uma pesquisa recente do Instituto de Política de Harvard, Harris lidera entre as mulheres de 18 a 29 anos por impressionantes 30 pontos. Em estados decisivos como Arizona e Michigan, sabe-se que dezenas de milhares de mulheres, e especialmente mulheres jovens, votaram antecipadamente para garantir a vitória de Harris.

Assim, uma mulher ainda pode assumir a Casa Branca num futuro próximo. No entanto, se Harris vencer as eleições e se tornar a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, a misoginia americana que Trump expôs, aproveitou e aprofundou não desaparecerá da noite para o dia.

Tal como a eleição do Presidente Barack Obama em 2008 não marcou o fim do racismo na sociedade americana, a possível eleição de Harris em 2024 não acabará com a misoginia e o sexismo no país.

Isto ocorre em parte porque Kamala Harris não é uma verdadeira feminista.

O vice-presidente democrata favorece a ideologia transgênero. Ela parece disposta a permitir que homens que se dizem mulheres pisem os direitos sexuais das mulheres, conquistados com dificuldade, em nome da “inclusividade”. Ela apoia as chamadas intervenções médicas de “afirmação de género”, que mutilam desnecessariamente mulheres e raparigas fisicamente saudáveis, e muitas vezes as transformam em pacientes médicos para o resto da vida. Ela é a primeira candidata presidencial dos EUA a apoiar a descriminalização generalizada da prostituição (à qual ela se refere como “trabalho sexual”). Em muitos aspectos, Harris também não é amigo das mulheres. E, infelizmente, ela pode estar a agir desta forma porque acredita que o verdadeiro feminismo não pode vencer as eleições americanas.

Mas, mesmo que Harris, por qualquer razão, não consiga definir o que é uma mulher, Trump certamente consegue. Na sua mente preconceituosa e misógina, as mulheres são brinquedos sexuais, mães e cuidadoras, e não seres humanos plenos com direitos, opiniões e liberdades.

É por isso que, se eu fosse americana, não hesitaria em votar em Harris em vez de Trump, apesar de todas as minhas dúvidas sobre as suas credenciais feministas.

Descobriremos, numa questão de dias, se um número suficiente de americanos de todos os sexos preocupados com os direitos das mulheres chegará à mesma conclusão, comparecerá às urnas para apoiar Harris e conseguirá pôr fim ao festival de misoginia que tem sido a carreira política de Trump. .

Mas seja qual for a realidade política com que acordarmos no dia 6 de Novembro, esta época eleitoral – e a misoginia, o ódio e a violência contra as mulheres que normalizou – terá consequências. No futuro, as mulheres terão mais medo de se candidatarem a cargos públicos, sabendo do assédio e das mentiras que terão de enfrentar apenas por serem mulheres em busca de poder e autoridade. O abuso que Harris sofreu nos últimos meses, não pela sua política, mas pelo seu sexo, provou que a América ainda não é uma nação feminista, e definitivamente não está pronta para eleger uma verdadeira feminista como líder.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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