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Uma perspectiva muçulmana sobre o aborto: além do “pró-escolha” e do “pró-vida” | Direitos das Mulheres
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2 anos atrásem
Uma recente campanha publicitária “pró-escolha” em Chicago, concebida por uma instituição de caridade progressista de “saúde reprodutiva e justiça” para muçulmanos, reacendeu uma conversa complexa sobre o direito ao aborto dentro da comunidade muçulmana americana.
Utilizando a linguagem de justiça social da esquerda, o cartaz apelou aos muçulmanos para que se alinhassem com os argumentos seculares a favor do aborto e apoiassem plenamente os “direitos reprodutivos”. No entanto, o apelo não repercutiu em muitos de seu público-alvo. Muitos muçulmanos consideraram que a posição representada no outdoor não conseguia captar a profundidade das perspectivas islâmicas sobre o aborto e, portanto, não representava a sua visão do mundo.
Quando eu, junto com outras estudantes da faculdade muçulmana Darul Qasim, com sede em Chicago, escrevi um carta aberta em resposta à campanha publicitária sublinhando a sua inadequação e simplificação excessiva de uma questão profundamente complexa, recebemos uma onda de apoio da comunidade. Isto foi um reflexo das preocupações que muitos muçulmanos têm sobre o enquadramento binário de “pró-escolha” e “pró-vida” no debate sobre o aborto.
Desde que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos revogou o caso Roe v Wade, um caso que concluiu que as mulheres americanas tinham o direito de fazer as suas próprias escolhas reprodutivas, o aborto tem sido um tema principal de discussão e fonte de divisão nas comunidades de todo o país. À medida que a questão dividia ainda mais uma nação já polarizada antes das recentes eleições históricas, ambos os lados do debate começaram a apresentar a sua posição como a única correta e moral. Neste ambiente, os muçulmanos encontraram-se a lutar para filtrar a propaganda e as deturpações politicamente carregadas das posições islâmicas sobre o aborto.
Na verdade, como um dos objectivos da lei islâmica é a preservação da vida, o Islão não se opõe totalmente nem apoia incondicionalmente o aborto. Tal como acontece com outras questões delicadas, a orientação do Islão sobre o aborto é muito matizada e fundamentada em princípios éticos e na lei divina. À medida que o debate continua a dominar as conversações nos EUA, talvez tanto a esquerda como a direita possam beneficiar da tentativa de aprender com as perspectivas islâmicas sobre a questão, em vez de tentarem atrair os muçulmanos para o seu campo.
Então, qual é exatamente a orientação islâmica sobre o aborto?
No Islão, as decisões sobre questões como o aborto não se baseiam apenas na autonomia pessoal ou nos direitos individuais, como é o caso do discurso secular ocidental. Em vez disso, são guiados pelos ensinamentos islâmicos e enraizados num quadro ético e teológico mais amplo. Os juristas muçulmanos obtêm decisões sobre o aborto a partir de fontes primárias, como o Alcorão e a Sunnah, e consideram cuidadosamente factores como a saúde da mãe e a viabilidade do feto em diferentes fases do seu desenvolvimento. Esta abordagem, que respeita tanto o bem-estar da mãe como a santidade da vida por nascer, não se enquadra perfeitamente nos binários políticos americanos, mas, em vez disso, defende uma visão única e abrangente de justiça.
Assim, as tentativas dos progressistas, como a instituição de caridade por trás do outdoor de Chicago, de apresentarem as suas opiniões a preto e branco sobre o aborto como representando a posição islâmica são altamente equivocadas.
Como observou recentemente o eminente estudioso muçulmano americano Shaykh Amin Kholwadia, os progressistas muitas vezes tentam “sequestrar a narrativa muçulmana dominante” em questões como o aborto, mesmo que as suas posições não reflitam as da grande maioria dos muçulmanos em todo o mundo ou os valores e a ética tradicionais. do Islã. Os muçulmanos deveriam rejeitar tais tentativas, como muitos fizeram em Chicago, porque a posição muçulmana sobre uma questão como o aborto deveria estar firmemente enraizada nos princípios universais e intemporais do Islão, e não nas tendências políticas do Ocidente.
Por exemplo, a linguagem dos “direitos reprodutivos” utilizada pelo movimento pró-aborto enquadra o debate sobre o aborto como algo que deveria centrar-se na liberdade pessoal. No entanto, a ética islâmica adota uma abordagem diferente. O corpo no Islã é considerado uma confiança (amanah) de Allah, com seu cuidado e uso governados pela orientação divina e não pela discrição individual. Assim, as escolhas que fazemos relativamente aos nossos corpos devem considerar a nossa responsabilidade perante Deus e não apenas as nossas preferências, desejos e direitos pessoais.
Este princípio ilustra a razão pela qual os muçulmanos devem olhar para além das limitações do debate “pró-escolha” versus “pró-vida” e adoptar uma abordagem mais holística e centrada na fé relativamente à questão do aborto. Em vez de encarar o aborto apenas como uma questão de direitos individuais, devemos entendê-lo como uma questão inserida num quadro ético sagrado, que deve ser tratado tendo em conta os direitos da mãe e do nascituro, bem como a responsabilidade no futuro.
Embora algumas organizações muçulmanas americanas possam procurar confinar as perspectivas islâmicas dentro do dogma secular para se adequarem aos seus aliados políticos progressistas, é essencial que os muçulmanos americanos olhem para além desta retórica politicamente orientada. Devemos recorrer a estudiosos experientes para nos orientarem sobre questões éticas relacionadas com a saúde das mulheres, garantindo que as nossas perspectivas sejam fundamentadas no conhecimento islâmico. Como explica Kholwadia, com 1,8 mil milhões de muçulmanos em todo o mundo, os valores do Islão estendem-se muito para além das fronteiras e do clima político da América.
Nossos estudiosos nos forneceram uma riqueza de conhecimentos sobre ética reprodutiva. Eles delinearam os objetivos da lei islâmica, quando o aborto se torna permitido, e as medidas que uma família deve tomar caso se depare com decisões difíceis sobre a gravidez. Estas decisões – derivadas de fontes divinas e de análises jurídicas – oferecem um quadro profundamente compassivo e centrado no bem-estar da mãe e do feto. Não há nada a ganhar com a reformulação deste vasto conhecimento dentro da retórica dos “direitos reprodutivos” baseada na crença na supremacia das liberdades individuais.
Ao discutir questões sensíveis como o aborto, os muçulmanos americanos devem honrar a nossa tradição robusta e defender a santidade dos nossos corpos, que nos foram dados por Deus. Devemos abordar estas questões com uma perspectiva que reflita os princípios intemporais e compassivos do Islão. Em vez de aceitar perspectivas progressistas ou outras, enraizadas no discurso e nas realidades ocidentais, devemos reafirmar o nosso compromisso com uma abordagem ética e espiritualmente consciente das questões mais complexas da vida.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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