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Uruguai deve ter 2º turno entre Frente Ampla, de esquerda, e candidato de Lacalle Pou – 27/10/2024 – Mundo

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Mayara Paixão

Sem grandes emoções, pesquisas de boca de urna no Uruguai indicam que o pequeno vizinho brasileiro de 3,4 milhões de habitantes irá a segundo turno daqui a um mês entre Yamandú Orsi (Frente Ampla —coalizão de esquerda e centro-esquerda) e Álvaro Delgado (Partido Nacional —de centro-direita e governista).

Três dos principais institutos de pesquisa do país mostram o esquerdista com média de 40% de apoio, ante cerca de 28% do governismo. Quase 90% dos eleitores compareceram, informou a Corte Eleitoral quando as urnas fecharam, às 19h30.

Ao saírem rindo do centro de votação na Prefeitura de Montevidéu, os irmãos Sorrentino brincam: “Não, não viemos votar para a Presidência, viemos votar para o Congresso, é o que importa agora”, diz Paula, 50, docente universitária em Rivera, na fronteira com o Brasil.

Eles, claro, votaram para presidente. Mas com essa fala querem dizer que o que mais pesa neste primeiro turno é qual força política ganhará a maioria no Congresso. Como o presidente tem poucos mecanismos constitucionais para tomar decisões sozinho, quem conseguir maioria no Senado e na Câmara sai na dianteira para o segundo turno.

A porcentagem de votos pesa, é claro, mas muito mais está em jogo. O apoio obtido por Orsi nesta primeira rodada já reúne todos os braços da Frente Ampla, essa aliança de partidos mais e menos radicais que foi se moderando nas últimas décadas. Não é o caso de Delgado.

Aos votos que obteve neste primeiro turno, ele tende a somar para o segundo os votos de outras legendas importantes, a principal delas o Partido Colorado, que com o advogado Andrés Ojeda chamou atenção ao crescer nas pesquisas, mas não conseguiu ir ao segundo turno. Ou seja, Delgado e Orsi estão muito próximos em termos numéricos.

Os irmãos Sorrentino votaram diferente. Enquanto Paula votou pela continuidade do Partido Nacional, Fabrizio, 43, contador, votou por uma outra sigla da oposição, que prefere não falar. Os dois coincidiram em outros dois votos que o eleitor tinha que dar neste domingo.

Eles não apoiaram o plebiscito chamado pelo setor sindical para mudar as regras de aposentadoria, mas, por outro lado, apoiaram o plebiscito chamado pelo governo para aumentar o poder policial de realizar invasões a residências para combater a insegurança.

As duas propostas não receberam apoio suficiente, ainda segundo as projeções de boca de urna. Elas eram sintomas de um país que vê na estagnação e no envelhecimento de sua população e no avanço do narcotráfico duas questões latentes e desafiantes para as quais nenhum governo até aqui apresentou soluções.

O projeto de Previdência propunha escrever na Constituição que a idade mínima de aposentaria após 30 anos de aportes seria de 60 anos, e não mais 65, como uma reforma do governo de Luis Lacalle Pou estabeleceu. Propunha ainda acabar com os fundos privados de aposentadoria e igualar o valor mínimo da pensão ao do salário mínimo.

Nem os dirigentes da Frente Ampla apoiavam essa proposta, ainda que os tentáculos da coalizão mais próximos a sindicatos a promovessem. Um dos principais argumentos era o de que não faria sentido cravar na Carta Magna uma idade que terá de ser revista em um par de anos devido ao envelhecimento do Uruguai, com cada vez menos pessoas em idade ativa.

Yamandú Orsi é próximo ao ex-presidente José “Pepe” Mujica, que aos 89 anos e após enfrentar um tratamento contra câncer teve sequelas de saúde e diz que está finalizando sua vida política. Mas pertence a uma nova geração da Frente Ampla que ainda não ganhou tração.

Como a reportagem mostrou, uma de suas propostas teria peso para o Brasil: Orsi quer frear o acordo de livre-comércio com a China que o governo de Lacalle Pou colocou na esteira por fora do Mercosul. Ele defende pautas como o combate à pobreza infantil (atinge 31% dessa parcela populacional), melhorias na educação e mais policiamento.

Ex-professor de história, ele foi governador do departamento de Canelones, nos arredores da capital Montevidéu. Para muitos, é importante que o candidato seja “de las afueras”, ou seja, de um grupo que não seja o da tradicional classe polícia de Montevidéu.

Já Álvaro Delgado, veterinário de formação, é um aliado de primeira hora de Lacalle Pou, de quem foi secretário-geral da Presidência. Isso não significa, porém, que tenha herdado o capital político do surfista e filho de ex-presidente que em 2019 levou o Partido Nacional ao poder após 15 consecutivos anos de Frente Ampla.


A alternância no poder desde a redemocratização no Uruguai












PresidentePeríodoPartido
Julio María Sanguinetti1985-1990Colorado
Luis Alberto Lacalle1990-1995Nacional
Julio María Sanguinetti1995-2000Colorado
Jorge Batlle2000-2005Colorado
Tabaré Vázquez2005-2010Frente Ampla
José “Pepe” Mujica2010-2015Frente Ampla
Tabaré Vázquez2015-2020Frente Ampla
Luis Lacalle Pou2020-2025Nacional

Partidos Nacional e Colorado: centro-direita

Frente Ampla: coalizão de esquerda e centro-esquerda


Mais de 2,7 milhões de uruguaios estavam habilitados para votar. Entre eles, uma pequena parcela de 5.560 imigrantes que ganharam força no país nos últimos anos.

Orgulho parecia definir a dominicana Esperanza Ortiz, 37, ao sair de uma escola que virou centro de votação a poucos metros da “rambla”, extensa avenida que acompanha o rio da Prata na capital. Há 11 anos no Uruguai, essa era a primeira vez em que votava. Teve de esperar cinco anos para tramitar a cidadania e mais três para ter o título de eleitor.

Esperanza diz que votou pela Frente Ampla. A coalizão estava no poder quando ela chegou ao país, em 2013, quando Mujica era presidente. Ela diz que a Frente fez muito mais pelos imigrantes, e que o governo atual não quer que mais estrangeiros cheguem ao país. Foi justamente o governo de Lacalle Pou, porém, o que regularizou a situação migratória de mais de 20 mil imigrantes, a maioria deles cubanos.



Leia Mais: Folha

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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