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Vamos alegrar-nos com o cessar-fogo, mas também garantir que Gaza possa recuperar | Gaza

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, finalmente concordou com um acordo de cessar-fogo.

O acordo marca o fim do ataque israelense a Gaza que começou em 7 de outubro de 2023 e deixou em ruínas o enclave palestino que abrigava mais de dois milhões de pessoas. Com o número oficial de mortos a aproximar-se dos 47 mil e mais de 110 mil feridos, os palestinianos em Gaza e aqueles que se preocupam com as suas vidas em todo o mundo estão compreensivelmente satisfeitos com a notícia.

Mas, lamentavelmente, isto não representa o fim do sofrimento palestiniano. O “dia seguinte” a este genocídio em Gaza não será menos devastador.

Nos últimos 15 meses, Israel transformou o enclave palestiniano, há muito sitiado, num deserto pós-apocalíptico; bombardeando, destruindo ou incendiando metodicamente todas as estruturas que seus militares por acaso puseram os olhos.

Em meados de Dezembro, uma avaliação UNOSAT de imagens de satélite revelou que 170.812 estruturas tinham sido danificado ou destruído em Gaza desde o início do ataque de Israel em Outubro de 2023.

Este número representa 69 por cento de todas as estruturas do enclave e aproximadamente 245.123 unidades habitacionais. Inclui mais de 90 por cento de todos edifícios escolarese cada um dos habitantes de Gaza universidades. Inclui (PDF) o Museu Rafah, a Biblioteca Jawaharlal Nehru da Universidade Al-Azhar e a Biblioteca Municipal de Gaza. Inclui a Grande Mesquita de Gaza e a Igreja de São Porfírio. Isto inclui a maioria dos hospitais de Gaza e quase 70 por cento dos seus centros de saúde.

Imagens de satélite também mostram que 70 por cento da infra-estrutura agrícola de Gaza foi sistematicamente destruído na guerra, quer através de bombardeamentos, quer sob o peso de veículos militares pesados. Como consequência, a produção de alimentos em Gaza esteve no nível mais baixo de todos os tempos ao longo de 2024. Toda a população do enclave está agora em situação de insegurança alimentar e uma maioria significativa enfrenta “níveis extremamente críticos de fome”.

Em Abril de 2024, um acordo conjunto do Banco Mundial e da ONU avaliação mostrou que 92 por cento das estradas principais de Gaza foram danificadas ou destruídas. Pelo menos 75 por cento dos infra-estrutura de telecomunicações está danificado ou destruído. A Companhia de Distribuição de Electricidade de Gaza supostamente perdeu 90% de suas máquinas e equipamentos e sofreu perdas no valor de US$ 450 milhões.

Nos últimos meses do governo israelense campanha militarapenas uma das três centrais de dessalinização estava operacional, fornecendo apenas 7% das necessidades de abastecimento de água de Gaza. E, de acordo com a Oxfam, todas as estações de tratamento de águas residuais e a maioria das estações de bombagem de esgotos em Gaza “foram forçadas a encerrar” devido ao “bloqueio de combustível e electricidade” imposto por Israel.

Mas a verdadeira tragédia aqui não são as infra-estruturas, estradas e edifícios destruídos. O que testemunhámos em Gaza foi a destruição de toda uma sociedade. Israel não apenas destruiu a paisagem. Rasgou em pedaços a própria estrutura da vida social, cultural, intelectual e económica de Gaza.

O número oficial de mortos na campanha militar de Israel em Gaza aproximou-se dos 50.000 – este é um número devastador por si só. No entanto, é muito provável que haja uma enorme subcontagem. As autoridades em Gaza perderam há muito tempo a capacidade de manter uma contagem precisa dos mortos. Sabemos que muitos milhares provavelmente permanecem sob os escombros. Em junho de 2024, um estudar publicado pela Lancet estimou que o número real de mortos no ataque de Israel a Gaza poderia ser superior a 186.000. Mais de seis meses depois, o número de mortos excede agora, sem dúvida, esta estimativa.

Entre os que morreram na carnificina estão artistas e escritores, como Walaa al-Faranji, que foi morto num ataque aéreo em dezembro de 2024. Há poetas como Refaat Alareer – a voz de uma geração e um símbolo reverenciado de resistência e resiliência, que foi morto no que parecia ser um ataque aéreo direcionado em dezembro de 2023.

Entre os mortos estão também milhares de professores, professores universitários e estudantes – crianças e jovens que teriam construído o futuro de Gaza.

Este número impressionante de mortos também inclui mais de 130 jornalistascomo Mustafa Thuraya e Hamza al-Dahdouh, que foram mortos em ataques direccionados ou por bombardeamentos indiscriminados enquanto tentavam realizar o seu trabalho em condições inimaginavelmente difíceis.

Israel também matou mais de 1.000 médicos e profissionais de saúde nesta “guerra” – alguns com bombas, outros com disparos de tanques, pelo crime de tentar ajudar os doentes e feridos. Muitos também foram mortos, como o Dr. Ziad Eldalou, em centros de detenção e prisões israelitas.

A reconstrução de Gaza após o genocídio será uma tarefa difícil – segundo algumas estimativas, custará mais de 50 mil milhões de dólares. Mas mesmo um investimento tão colossal não será suficiente para substituir os milhares de mentes brilhantes – os médicos, os educadores, os jornalistas – que se perderam. Nenhuma quantia de dinheiro será suficiente para curar e reconstruir esta sociedade devastada por violência e brutalidade inimagináveis.

A dificuldade de reconstrução também está enraizada no facto de os sobreviventes, aqueles que têm a sorte de poder celebrar hoje o cessar-fogo, também estarem traumatizados, quebrados.

Todos eles foram deslocados muitas vezes. Eles perderam familiares, amigos e colegas. Eles perderam suas casas, sua comunidade. Não são as mesmas pessoas de há 15 meses e a cura não será fácil.

Serão necessários anos – se não décadas – de investimento político global inabalável no desenvolvimento humano para que Gaza tenha uma oportunidade de recuperar desta situação.

Mas mesmo assim, não podemos esperar que as autoridades israelitas permitam voluntariamente que esta recuperação aconteça. Há poucas razões para acreditar que Israel respeitará este cessar-fogo, acabará definitivamente com os bombardeamentos e incursões arbitrárias e deixará Gaza reconstruir-se e sarar no “dia seguinte”.

Então sim, por enquanto, a guerra parece estar acabando. Mas o futuro parece sombrio para Gaza. Isto não quer dizer que a pressão internacional concertada sobre Israel para permitir a reconstrução de Gaza não funcionaria. Mas, por enquanto, a possibilidade de tal acontecer parece pequena, uma vez que o seu aliado mais poderoso, os Estados Unidos, não parece particularmente ansioso por alterar o status quo. Tragicamente, todos os indícios mostram que o “dia seguinte” em Gaza será tão doloroso, tão devastador e tão injusto como qualquer “dia anterior”.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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