Já pensou em escalar uma montanha sem um mapa, sem lanterna e, por que não, sem água? Parece uma má ideia, certo? Curiosamente, quando se trata de investir, muitos fazem exatamente isso. Veem uma dica em redes sociais, ouvem uma conversa no churrasco e pronto: já estão comprando ações, fundos imobiliários (FIIs), criptoativos ou outro ativo de risco, como se o simples ato de investir fosse garantia de sucesso. Só que, como em qualquer aventura, estar despreparado pode trazer consequências. E, nesse caso, o mapa da trilha são três perguntas que todo investidor deve fazer antes de arriscar seu dinheiro: Quanto espero ganhar? Quanto aceito perder? Quanto tempo aceito esperar?
A primeira pergunta parece óbvia, mas é muitas vezes ignorada. Quanto você realmente espera ganhar? Muitos compram um ativo simplesmente porque ele subiu no passado. Mas já parou para pensar que a subida pode ser justamente o motivo para não comprar? Quando falamos de renda fixa, por exemplo, se um ativo já valorizou muito, ele pode ter consumido o potencial de retorno futuro. Nesse caso, quem chega depois encontra apenas migalhas. O mesmo acontece com ações, FIIs e até criptomoedas. Investir com base no que já aconteceu é como entrar em uma festa quando os convidados já estão indo embora. Então, tenha clareza sobre o que você espera de retorno, e se isso realmente faz sentido no contexto atual. Ou seja, antes de investir tenha uma expectativa de retorno e qual o cenário econômico-financeiro que sustenta essa expectativa. Se o cenário mudar, você vai precisar ter a resposta para a segunda pergunta.
Agora, vem a segunda questão: Quanto aceito perder? Esse é o calcanhar de Aquiles da maioria dos investidores. Ninguém gosta de pensar nas perdas, mas ignorá-las não as torna menos reais. Todo investimento de risco tem uma face sombria, e, se o cenário virar, você está preparado? Você já se viu em uma posição perdedora sem saber o que fazer? Saber quanto está disposto a perder é essencial para evitar pânico quando o mercado oscila, mas ao mesmo tempo também entender quando estava errado na escolha inicial. Sem essa resposta, é fácil tomar decisões impulsivas, vendendo na baixa, realizando prejuízos que poderiam ter sido apenas temporários ou mesmo segurando posições perdedoras indefinidamente. Portanto, antes de entrar, tenha um limite claro para suas perdas. Assim, você evita a surpresa amarga de ver seu investimento evaporar sem saber o que fazer. Além de saber o quanto aceita perder, outra pergunta está muito próxima está relacionada ao tempo.
Lembre-se, pior que uma perda grande e rápida é nunca ganhar.
E é aí que entra, finalmente, a pergunta que costuma ser deixada para trás: Quanto tempo aceito esperar? No calor do momento, muitos investidores acreditam que vão conseguir resultados rapidamente. Mas, se o mercado resolver demorar mais que o esperado? Você tem paciência para aguardar? Investimentos de risco muitas vezes exigem tempo para maturar, e a ansiedade pode ser uma inimiga cruel. Se você não estiver preparado para esperar o tempo necessário, pode acabar desistindo antes de o investimento realmente mostrar seu valor ou pior, esperando tempo demais para entender que estava errado. Lembre-se, os juros são como um relógio, nunca param. Ou seja, se você não ganha, já está perdendo. O tempo é o seu aliado, mas só se você permitir que ele trabalhe a seu favor.
Essas três perguntas podem parecer simples, mas são poderosas. Elas revelam se você está pronto para enfrentar as incertezas do mercado ou se precisa de mais preparo antes de embarcar nessa aventura. Da próxima vez que sentir a tentação de comprar ações, FIIs ou criptomoedas com base em uma dica ou porque “todo mundo está comprando”, pare e reflita. Quanto espera ganhar? Quanto aceita perder? Quanto tempo está disposto a esperar?
Responder honestamente a essas perguntas não só vai ajudar a proteger sua carteira, mas também vai trazer algo mais valioso: a tranquilidade de saber que você está no controle do seu destino financeiro, e não à mercê dos altos e baixos do mercado. Evitar frustrações futuras é uma questão de se preparar para a jornada – e, claro, trazer o mapa certo para a escalada.
Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.
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