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A islamofobia é uma realidade cotidiana para muitos australianos | Aftab Malik
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1 ano atrásem
Aftab Malik
Há cinco anos, o então primeiro-ministro Scott Morrison declarou em rede nacional: “Não sei se os australianos compreendem muito bem o Islão”.
Parece que este ainda é o caso em 2024.
Depois de passar cinco semanas viajando por este país como o novo enviado especial para combater a islamofobiadefinido em termos gerais como ódio ou preconceito anti-muçulmano, ouvi histórias comoventes que ilustram como a islamofobia se manifesta na vida quotidiana e afecta negativamente a vida dos australianos comuns.
Às vezes, manifesta-se como discriminação ou assédio. Às vezes como abuso. Às vezes, ódio total. E às vezes atos violentos ou vandalismo.
O graffiti ofensivo descoberto em uma passagem subterrânea movimentada no oeste de Sydney durante o fim de semana é apenas o mais recente lembrete visível da islamofobia na Austrália.
Isso coloca em contexto o quão errado o senador Dave Sharma estava afirmando que Islamofobia é “fictício”.
Todos os dias, a islamofobia afecta crianças, adolescentes nos seus níveis mais vulneráveis e também adultos.
A verdade é que houve um aumento de 600% nos relatos de islamofobia desde o Atrocidades de 7 de outubro no ano passado e não era incomum antes.
As provas que documentam o ódio anti-muçulmano são esmagadoras. Ao longo da última década, inúmeros estudos detalharam incidentes de crimes e discriminação anti-muçulmanos e analisaram os tropos mediáticos que perpetuam estereótipos sobre o Islão e os muçulmanos.
Este conjunto de trabalhos pinta um quadro preocupante de um mundo em que o assédio e o abuso de muçulmanos são igualmente comuns e percebidos como socialmente aceitáveis.
Muitos dos relatos de abuso e violência ocorrem em ambientes comuns, onde raramente intervêm espectadores e, na sua maioria, as vítimas são mulheres muçulmanas identificáveis.
Esses são ultrajes comuns. São discriminações cotidianas. Todos eles foram denunciados ao Islamophobia Register Australia. Eles merecem a nossa condenação colectiva.
À parte, o facto de existirem organizações comunitárias muçulmanas que documentam a islamofobia num registo, e um enviado especial para a combater, é uma pista para saber se a islamofobia existe.
A rejeição imediata do abuso diário da nossa comunidade justapõe-se terrivelmente aos recentes comentários de alguns dos nossos líderes, e é perigosa. Isso nos testa como comunidade e testa a Austrália como sociedade.
Eu entendo que as emoções estão altas agora. Todos os muçulmanos fazem. Mas devemos tratar as pessoas como queremos ser tratados.
Nesse espírito, afirmo o seguinte: os ataques a quaisquer locais de culto são horríveis – especialmente porque são espaços sagrados para as pessoas adorarem, sabendo que libertam e seguro para fazer isso.
Condeno os recentes ataques anti-semitas em Melbourne e Sydney.
Condeno também os incidentes de incêndio criminoso, graffiti e vandalismo que têm assombrado mesquitas em toda a Austrália e que passaram despercebidos sem qualquer indignação por parte dos nossos líderes.
Exorto os nossos políticos e representantes comunitários a não só serem apaixonados, mas também empáticos. Não podemos condenar uma forma de ódio e depois negar a existência de outra.
Há quem acredite que a islamofobia é um conceito concebido para acabar com a liberdade de expressão e acabar com as críticas aos muçulmanos ou ao Islão.
Esse não é o caso. As pessoas são livres para não gostar do Islão ou de qualquer outra fé.
Mas manifesta-se como islamofobia quando a antipatia se transforma em assédio, intimidação e abuso dos muçulmanos, e em discriminação contra eles. Isso é real e deveria ser uma preocupação de todos os membros da sociedade.
O Senador Sharma concordou em encontrar-se comigo esta semana. A compreensão não é, de forma alguma, a cura para a islamofobia, mas é um primeiro passo para a mudança.
É imperativo que paremos de politizar o sofrimento e trabalhemos em prol de uma sociedade mais inclusiva, onde cada pessoa, independentemente da sua fé, possa sentir-se segura e valorizada.
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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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19 horas atrásem
6 de fevereiro de 2026A Ufac lançou o projeto de extensão “Tecendo Teias de Aprendizagem: Cazumbá-Iracema”, em solenidade realizada nesta sexta-feira, 6, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema.
Viabilizado por meio de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto tem como foco promover uma educação contextualizada e inclusiva, com ações voltadas para docentes e estudantes da reserva, como formação em metodologias inovadoras, implantação de hortas escolares, práticas agroecológicas sustentáveis e produção de um documentário com registros da memória cultural da comunidade.
A reitora Guida Aquino destacou a importância da iniciativa. “É um momento ímpar da universidade, que cumpre de fato seu papel social. O projeto nasce a partir da escuta da comunidade, com apoio fundamental do senador Petecão, que tem investido fortemente na educação.” Ela também agradeceu o apoio financeiro para funcionamento da instituição. “Se não fossem as emendas, não teríamos fechado o ano passado com energia, segurança e limpeza garantidas.”
Petecão frisou que o investimento em educação é o melhor caminho para transformar a realidade da juventude e manter as comunidades nas reservas. “Não tem sentido incentivar as pessoas a deixarem a floresta. O mundo todo quer conhecer a Amazônia e o nosso povo quer sair de lá. Está errado. A reserva Cazumbá-Iracema é um exemplo de paz e organização, e esse projeto pode virar referência nacional.”

Ele reafirmou seu apoio à universidade. “A Ufac é um patrimônio do Acre. Já destinamos mais de R$ 40 milhões em emendas para a instituição. Vamos continuar apoiando. Educação não tem partido.”
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, explicou que a proposta foi construída a partir de escutas com lideranças da reserva. “O projeto mostra que a universidade pública é espaço de formulação de políticas. Educação é direito, não mercadoria.” Ele também defendeu a atualização da legislação que rege as fundações de apoio, para permitir a inclusão de moradores de comunidades extrativistas como bolsistas em projetos de extensão.
Durante o evento, foram entregues placas de agradecimento à reitora Guida Aquino, ao senador Sérgio Petecão e ao pró-reitor Carlos Paula de Moraes, além de cestas com produtos da comunidade.
A reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema possui cerca de 750 mil hectares nos municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, com 18 escolas, 400 estudantes e aproximadamente 350 famílias.
Também participaram da mesa de honra o coordenador do projeto, Rodrigo Perea; o diretor do Parque Zoobotânico, Harley Araújo; o chefe do ICMBio em Sena Madureira, Aécio dos Santos; a subcoordenadora do projeto, Maria Socorro Moura; e o estudante Keven Maia, representante dos alunos da Resex.
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Grupo de pesquisa da Ufac realiza minicurso sobre escrita científica — Universidade Federal do Acre
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22 horas atrásem
6 de fevereiro de 2026O grupo de pesquisa Elos: Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional, da Ufac, realiza o minicurso Escrita Científica em 12 de fevereiro, em local ainda a ser definido. A ação visa proporcionar uma introdução aos fundamentos da produção acadêmica. A carga horária do minicurso é de duas horas e os participantes receberão certificado. As inscrições estão disponíveis online.
Serão ofertadas duas turmas no mesmo dia: turma A, às 13h30, e turma B, às 17h20. A atividade é coordenada pela professora Graziela Gomes, do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas.
A metodologia inclui exposição teórica e atividades práticas orientadas. A atividade abordará técnicas de citação, paráfrase, organização textual e ética na escrita científica, contribuindo para a redução de dificuldades recorrentes na elaboração de trabalhos acadêmicos e para a prevenção do plágio não intencional.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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