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Artesã do Acre é selecionada para compor catálogo de artesanato internacional

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Karolini Oliveira

Com colaboração de Celis Fabrícia

Semente de jarina e de açaí, uma palmeira típica da Amazônia, ganham formatos e cores especiais nas mãos da artesã do Acre, Rodney Paiva Ramos, que ganhou destaque internacional nesta quinta-feira, 21, ao ser selecionada para compor o Guia Homo Faber 2024.

O catálogo, escrito em inglês, tem curadoria da Fundação Michelangelo para a Criatividade e o Artesanato, uma fundação privada, internacional e sem fins lucrativos com sede em Genebra, na Suíça, e faz uma curadoria das melhores e mais criativas práticas sustentáveis de artesanato pelo mundo. Confira o perfil da artesã Rodney Paiva Ramos no Homo Gaber Guide clicando aqui.

Artesã Rodney Paiva Ramos trabalha com artesanato com sementes da floresta e reaproveitamento de peças. Foto: Fernando Menezes/Sete

“Para mim, quando um artesão é citado, todos ganham. E saber que nosso estado tem mulheres empreendedoras, artesanato de qualidade e eu estou representando esse grupo, foi muito orgulho e gratidão por todo o trabalho feito nesses mais de 20 anos”, disse a artesã.

O Guia tem a trajetória resumida da artesã, que desbravou o caminho das biojoias na Amazônia, uma entrevista que ressalta a sustentabilidade e relevância do trabalho, fotos de algumas das peças produzidas aqui no Acre e os contatos de email e das redes sociais. Clicando nas fotos do Guia, o internauta tem acesso às informações sobre o nome da peça e a matéria-prima utilizada na fabricação das biojoias e objetos de decoração.

Peças da artesã Rodney Paiva Ramos estão disponíveis para acesso e encomenda no site suíco homofaber.com. Foto: Fernando Menezes/Sete

Cores da Mata, uma marca de reconhecimento

Artesã premiada, Rodney Paiva Ramos ficou em 2° lugar, em 2012, no prêmio de Reconhecimento de Excelência da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), na Escola de Arte de Montevidéu, com o colar “Cores da Mata”, que hoje dá nome à marca. Em 2016, ganhou o Prêmio Top 100 Sebrae de Artesanato, o mais sonhado pela artesã e, em 2017, venceu a etapa estadual do Prêmio Mulher de Negócio do Sebrae.

Em 20 anos de atuação no artesanato, Rodney tem participado de muitas capacitações, feiras e eventos no Acre e em outros estados, muitos deles com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) e Sebrae/AC. Em 2024, com apoio da Sete e Sebrae/AC, participou da 24ª Feira Nacional de Negócios de Artesanato (Fenearte), realizada entre os dias 3 e 14 de julho no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, com a participação de mais de 5 mil artesãos: “Esse apoio é importante com a ajuda de custo para nós artesãos”.

Nove artesãos representaram o Acre na 24ª Fenearte. Foto: Cedida

O secretário de Turismo e Empreendedorismo do Acre, Marcelo Messias, destacou a importância de valorizar o artesanato local: “O reconhecimento do artesanato do Acre tem crescido cada vez mais, no âmbito regional, nacional e também internacional. É uma satisfação ver os resultados que temos alcançado, inclusive nas feiras que participamos. Sempre somos reconhecidos e o governo estadual procura incentivar artesãos que produzem peças ricas e cheias de identidade, garantindo renda a muitas famílias e fortalecendo a economia. É importante, para todos nós,  e importantes parceiros como o Sebrae/AC, valorizar esse patrimônio”, disse.

Secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, ressalta a importância da valorização do artesanato acreano. Foto: Neto Lucena/Secom

Alcançando novos espaços e realizando novas conquistas, a artesã Rodney vai participar, pela primeira vez, de um evento internacional. Entre os dias 2 e 8 de dezembro a artesã estará na Expoartesanías, em Bogotá, na Colômbia. A feira de artesanato latino-americana promove a preservação do artesanato tradicional latino-americano. Nessa ocasião, serão exibidos grandes trabalhos de artesãos e as suas criações, que representam as diversas culturas e tradições das diferentes regiões e países.

Quem é Rodney Paiva Ramos

Artesã há 20 anos, Rodney Paiva Ramos iniciou no artesanato em 2004. Natural do estado do Amazonas, após ficar desempregada, encontrou em Rio Branco, capital do Acre, uma oportunidade para desenvolver suas habilidades manuais e empreendedorismo. No início foi confeccionando biojoias, utilizando como matéria-prima apenas sementes. Após participar de uma avaliação das peças pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), não obteve aprovação.

Artesã Rodney Paiva Ramos enfrentou desafios no início, mas buscou se especializar e hoje ensina outras pessoas a produzir peças de artesanato utilizando materiais da floresta. Foto: Fernando Menezes/Sete

No entanto, esse primeiro momento incomum a quem decide montar o próprio negócio, foi motivador. Rodney entendeu suas limitações, mas não se acomodou. Na crise, criou, buscou se reinventar e se aperfeiçoar para participar de novas seleções. Novamente o Sebrae entra na história, agora com os cursos de reaproveitamento de madeira da Amazônia, gestão de negócios e técnicas de vendas. Como resultado, começou a produzir colares, brincos, pulseiras e bolsas com melhor qualidade, técnica e design exclusivo.

Artesã Rodney Paiva Ramos utiliza materiais da floresta para produzir peças em seu ateliê. Foto: Fernando Menezes/Sete

Em 2012, formalizou seu negócio e passou a ser microempreendedora individual (MEI), com vantagens de ter CNPJ, credibilidade, o que aumentou o número de clientes e permitiu a emissão de nota fiscal para os compradores, inclusive por meio de aplicativo. O trabalho da artesã também pode ser acompanhado pelo Instagram Biojoias Cores da Mata.

Artesanato e amor, união que transforma histórias

Mais recentemente, no início da Pandemia da Covid 19, assim como muitos artesãos, passou por momentos difíceis na comercialização dos produtos e, mais uma vez, teve que se reinventar, porque muitos de seus clientes deixaram de ter a compra de biojoias como prioridade.

Observando que, com a necessidade de isolamento, muitos passaram a reformar suas casas e voltar à atenção para objetos de decoração, teve a ideia de um novo produto. Vendo esse potencial mercado, passou a produzir colares decorativos que levam para os lares a vida e as cores da mata, em paredes, mesas, aparadores e portas.

Rodney Paiva Ramos enxergou oportunidade na confecção de adereços de mesa e casa, durante pandemia da Covid19. Foto: Fernando Menezes/Sete

As novas peças somam-se às produções já existentes no portfólio da artesã e são comercializadas em feiras, lojas, WhatsApp e pelo Instagram em todo o Brasil e até em outros países. O esposo, Valdeci da Silva, também faz parte da produção e, juntos, têm no artesanato a renda da família.

Desde a sua origem, a Biojoias Cores da Mata é alinhada com os princípios da sustentabilidade. As madeiras de reaproveitamento vem das marcenarias e as sementes são coletadas por moradores da Floresta, gerando uma renda extra para essas famílias. Jarina, açaí e paxiubão são as matérias-primas mais usadas na produção das biojoias.

Sementes da floresta são componentes essenciais nas produções da artesã. Foto: Fernando Menezes/Sete

Já para os colares decorativos, além das sementes, ouriços de castanha e de sapucaia, a paxiúba, a maracatiara e a muirapiranga são as espécies madeireiras que fazem com que o cliente tenha um pedacinho da Floresta em casa.

Sobre o Guia Homo Faber 2024

O Homo Faber 2024 tem curadoria da Fundação Michelangelo para a Criatividade e o Artesanato, uma fundação privada, internacional e sem fins lucrativos com sede em Genebra, na Suíça, que defende artesãos contemporâneos em todo o mundo com o objetivo de promover um futuro mais humano, inclusivo e sustentável. O movimento tem como foco artesãos criativos e conta com programas educacionais para as próximas gerações, uma celebração bienal internacional e um guia online com exposição das peças dos artesãos selecionados.

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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

 

Veja o vídeo:

 

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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