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As pesquisas transformaram as eleições nos EUA em um jogo. Precisamos fazer um teste de realidade | Pedro Pomerantsev
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2 anos atrásem
Peter Pomerantsev
EUEm Washington DC, avalio minha vida em pesquisas e palpitações cardíacas. As pesquisas são implacáveis, contundentes e enlouquecedoramente contraditórias. Existem sondagens nacionais, sondagens estaduais indecisas, sondagens de pequenos condados que prevêem uma eleição inteira, sondagens partidárias concebidas para desmoralizar o outro lado.
Existem pesquisas sobre se um candidato inspira confiança, compaixão e liderança. Percebi como, depois de uma enquete ruim, começo a procurar outra que me diga números que gosto. Também percebi como, depois de uma boa, vou procurar uma pesquisa ruim para me derrubar, como se estivesse tentando furar o balão da autoconfiança e me lembrar da “realidade”.
Mas as pesquisas nunca levam você à realidade. Em vez disso, eles o moldam. Não é apenas o que as sondagens dizem, ou mesmo a forma como foram elaboradas, que é o grande problema aqui – é como o foco obsessivo nas sondagens é sintomático da forma como vemos a política.
As pesquisas fazem a política parecer uma corrida, um jogo, um esporte de personalidades rivais. Quem está acordado? Quem está caído? Que táticas eles usaram para superar um ao outro? O que isso diz sobre sua personalidade? As palavras são vistas como armas com as quais os políticos mostram a sua capacidade de subverter ou assustar a oposição – e não como declarações substantivas sobre o que pretendem fazer.
E que tipo de político irá prosperar neste mundo onde o discurso político é apenas um jogo? Um candidato como Donald Trump.
Foram os professores de comunicação Kathleen Hall Jamieson e Joseph Cappella os primeiros a notar a ligação entre a descrição da política como uma série de estratégias e um cinismo crescente entre os eleitores.
Isto foi em meados da década de 1990, quando a mídia analisava constantemente a rivalidade entre o presidente dos EUA, Bill Clinton, e o presidente da Câmara. Newt Gingricha iteração inicial do partidarismo atual baseado na identidade. Jamieson e Cappella descobriram que os meios de comunicação social estavam menos concentrados nas questões que os dois estavam a debater – muitas vezes em torno da reforma da saúde – e mais na forma como estavam a competir.
A cobertura fixou-se em quem estava a ganhar, utilizou a linguagem dos jogos e da guerra, enfatizou o desempenho e a percepção dos políticos, deu um novo peso às sondagens.
Este tipo de cobertura activou o cinismo das pessoas em relação à política – a sensação de que se trata apenas de um jogo entre intrigantes egoístas – e depois tornou-as mais cínicas em relação aos meios de comunicação social.
Décadas mais tarde, esta “espiral de cinismo” está à nossa volta: desde a explosão da pipoca das sondagens até às manchetes. Depois do ex-chefe de gabinete de Trump, John Kelly comparou-o a um fascista semana passada, o Jornal de Wall Street escreveu: “Harris usa os comentários do ex-chefe de gabinete de Trump para pintá-lo como inadequado para o cargo”.
A questão de saber se Trump é fascista ou não foi reduzida ao destaque de uma tática retórica. A ideia de que toda a política é apenas um jogo cínico e de que os “grandes meios de comunicação social” não estão realmente atentos aos cuidados do eleitor tornou-se tão difundida que ajudou a pavimentar o caminho para os políticos que permanecem varrendo todo o edifício da democracia como a conhecemos.
Não é por acaso que esta viragem começou na década de 1990, quando a guerra fria terminou e os grandes debates filosóficos sobre políticas pareciam ter terminado. Em vez disso, a política passou a ser uma questão de desempenho divertido – a era de Blair, Clinton, ZhirinovskyIeltsin. E os meios de comunicação social começaram a gerar uma cobertura excessiva que substituiu o debate ideológico por personalidade e tácticas.
A década de 1990 foi também quando o reality show emergiu como o formato de entretenimento dominante. Inicialmente, surgiu de documentários observacionais que procuravam compreender melhor a sociedade, filmando incessantemente pessoas comuns nas suas casas, de tal forma que se esquecessem das câmaras e fossem mais elas próprias.
Rapidamente se tornou o oposto: um circo onde todo o comportamento era para as câmeras. Os competidores aprenderam a dizer e fazer as coisas mais vis apenas para criar escândalos e chamar a atenção para si próprios.
Os debates políticos norte-americanos na TV começaram a imitar a mesma lógica. Num debate primário movimentado, os candidatos têm apenas um pequeno espaço de antena. A maneira de conseguir mais é atacar outro candidato da maneira mais cruel e pessoal possível e, assim, provocá-lo a atacar você de volta. Se você for atacado, terá mais tempo para responder.
Então, rapidamente surgiram debates em que candidatos extremamente inteligentes lançavam insultos pessoais uns aos outros para obter mais atenção. O palco do debate foi montado para o apresentador de reality show Trump.
após a promoção do boletim informativo
O design da maioria das mídias sociais seguiu os mesmos incentivos: recompensar as declarações mais extremas e muitas vezes desagradáveis para chamar a atenção. E Trump também floresceu nisso.
A década de 1990 foi quando a World Wrestling Entertainment (WWE) cresceu, com seus lutadores de cabaré fazendo movimentos de luta obviamente falsos, onde a violência é teatro. Trump sempre foi um aficionado pela WWE, participando até de lutas simuladas, e membro do seu hall da fama.
Este ano, o astro do wrestling dos anos 1990, Hulk Hogan, falou na Convenção Nacional Republicana; Trump entra em seus próprios comícios ao som do tema do Undertaker, que, no auge da WWE, foi o contraponto “do mal” ao “goodie” totalmente americano de Hogan. Muitos dos seguidores de Trump aplicam a lógica cultural da WWE às suas declarações. Claro, prossegue o argumento, Trump pode dizer algumas coisas que soam muito autoritárias – mas é apenas um jogo.
Então, poderemos encontrar um caminho de volta à realidade? Para questões em vez de estratégias? Podemos, e podemos até usar pesquisas para fazer isso. Quando as sondagens deram recentemente aos eleitores uma escolha de políticas, em vez de personalidades, para escolher nesta eleição, a maioria, incluindo os apoiantes de Trump, preferiu a de Kamala Harris.
A polarização partidária se dissolve quando mudamos a forma como cobrimos a política. Também podemos desenvolver diferentes debates políticos televisivos, que preservem o entusiasmo da competição, mas que os redirecionem para recompensar a colaboração em vez do abuso.
Imagine um formato de debate em que os candidatos tivessem de resolver um problema político real e mostrassem como trabalhariam entre si e com o partido da oposição para o conseguir. Poderíamos também dimensionar plataformas de redes sociais que detectem algoritmicamente os pontos comuns nas divergências políticas para gerar soluções políticas comuns. Essas plataformas já estão sendo utilizadas em Taiwan.
É claro que há apelo em fugir da realidade para o grotesco circo da política. Mas se não conseguirmos encarar os factos, outros irão forçar-nos. Este mês, no Wilson Center, em DC, Jack Watling, do Royal United Services Institute, e Sam Cranny-Evans, do Open Source Center, apresentaram uma análise arrepiante do fabrico de armas e das cadeias de abastecimento russas.
A apresentação de slides apresentava fotos de satélite de fábricas de munições onde áreas de terra recém-desmatadas estão sendo preparadas para produzir mais armas. Vladimir Putin está se preparando para uma vasta guerra. A produção de armas da China está em situação de guerra. Eles não estão jogando.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre
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1 de outubro de 2026O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.
A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.
A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.
“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”
Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”
Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.
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