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Como a Turquia compete com a China por influência na África – DW – 26/09/2024
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O impulso estratégico da Turquia em África viu novos projectos em Somália recentemente, onde Ancara pretende explorar campos petrolíferos offshore e planeia melhorar a cooperação militar com um novo local de testes de mísseis.
Desde o lançamento da sua Política de Iniciativa Africana em 1998, Peru tem como objetivo fortalecer os laços comerciais, diplomáticos e de segurança com o continente.
O governo turco está a investir “grande energia e ambição” para alcançar os seus objectivos económicos no âmbito desta política, afirma Volkan Ipek, da Universidade privada Yeditepe, em Istambul. A sua estratégia visava “aumentar o comércio e promover acordos de livre comércio”, disse ele à DW. “Neste sentido, talvez a região, ou mesmo continente, mais estável e eficiente, em termos de política externa seja África.”
Nas últimas duas décadas, a Turquia aumentou o número das suas embaixadas em África de 12 em 2002 para 44 em 2022. A companhia aérea principal da Turquia, a Turkish Airlines, voa para 62 destinos africanos, enquanto 38 países africanos estabeleceram embaixadas em Ancara.
A crescente influência da Turquia no continente reflecte-se no aumento dos volumes comerciais, que aumentaram de 5,4 mil milhões de dólares (4,85 mil milhões de euros) em 2003 para mais de 41 mil milhões de dólares em 2022, antes de caírem para 37 mil milhões de dólares no ano passado.
O que os investidores da Turquia consideram mais atraente é a população jovem de África e a crescente procura de bens, que prometem ricos benefícios económicos. Mas as iniciativas da Turquia têm de competir com projectos lançados pela China, Rússia e países árabes na região do Golfo que procuram aumentar a sua influência em África.
Volkan Ipek acredita que África está a transformar-se num “grande mercado”, uma vez que as suas economias em crescimento “despertaram um interesse tão grande que a Turquia sentiu-se inevitavelmente obrigada a mostrar-se nesta competição”.
Em 2011, Presidente turco, Recep Tayyip Erdoganque ainda era primeiro-ministro na época, foi o primeiro líder político não africano a visitar a Somália em duas décadas. A sua visita impulsionou o envolvimento de Ancara na Somália e em África como um todo.
A capital da Somália, Mogadíscio, tornou-se o lar da maior base militar da Turquia no estrangeiro, enquanto vários acordos bilaterais foram assinados nos últimos meses, incluindo uma cooperação mais estreita em defesa e segurança, bem como um acordo para explorar campos petrolíferos ao largo da costa da Somália.
Acordo de defesa Somália-Turquia: Que impacto terá?
Acordos de exploração abrem as portas para os mercados de energia
Em julho, O Ministro da Energia turco, Alparslan Bayraktar, assinou um chamado acordo de Exploração e Produção de Hidrocarbonetos com a Somália concedendo a Ancara direitos exclusivos para explorar e produzir petróleo e gás em três quarteirões da costa da Somália.
A Turquia enviará um navio de exploração para a região no final de Setembro ou início de Outubro, anunciou a Alparslan, uma vez que estudos geossísmicos mostraram que o país possui pelo menos 30 mil milhões de barris de reservas de petróleo e gás.
Sohbet Karbuz, diretor de hidrocarbonetos e segurança energética do think tank do Observatório Mediterrâneo de Energia e Clima (OMEC), com sede em Paris, vê a parceria de exploração como um “passo estratégico” para garantir o fornecimento de energia turco.
“A Turquia está a caminho de se tornar um ator importante na exploração de petróleo e gás em águas profundas. Com seus quatro navios de perfuração e dois navios de pesquisa sísmica, já possui experiência técnica”, disse Karbuz à DW em comentários por escrito.
O abastecimento de energia turco depende cerca de 74% das importações do exterior, razão pela qual Ancara está ansiosa por diversificar o seu sector energético. Actualmente, o país ainda importa enormes quantidades de gás gasoduto da Rússia, Azerbaijão, Argélia e Irão, e compra gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos, Egipto, Rússia, França e Nigéria.
“Este (acordo de exploração com a Somália) mostra a ambição da Turquia de encontrar recursos energéticos adicionais, com os acordos planeados no Golfo de Aden, no Oceano Índico e no Mar Negro reflectindo ainda mais esta ambição”, disse Ipek.
Metas falhadas e parceiros fracos
Por mais ambiciosa que possa parecer a estratégia da Turquia para África, o país tem falhado persistentemente em atingir as suas metas de volume de comércio com África de 50 mil milhões de euros anuais. Este valor foi previsto para 2012 — quatro anos após o União Africana declarou a Turquia um “parceiro estratégico”. Em 2021, Erdogan chegou a anunciar que o comércio de 75 mil milhões de dólares era agora a meta para o comércio com África, sem fornecer um prazo para atingir a meta.
Ufuk Tepebas, que foi investigador no Centro de Estudos Africanos da Universidade de Basileia, diz que estabelecer metas é uma coisa, mas é mais necessário “determinar o potencial dos países e diversificar os parceiros comerciais”.
Até agora, a Turquia assinou acordos de comércio livre com apenas quatro países africanos – Tunísia, Egipto, Marrocos e Maurícias. A Somália e o Sudão ainda recebem principalmente ajuda turca ao desenvolvimento, enquanto a cooperação bilateral se centra principalmente nos estreitos laços religiosos e históricos da Turquia com os dois países.
Tepebas, portanto, apela a Ancara para “analisar corretamente” ao escolher os seus parceiros comerciais africanos. “O potencial da Somália e do Sudão em termos de comércio é muito fraco. Se tivéssemos preferido apoiar a Etiópia, a Tanzânia e o Quénia, provavelmente obteríamos maiores retornos comerciais”, disse Tepebas à DW.
Cooperação em segurança para apoiar projetos de investimento
A Turquia está também a estabelecer-se como um parceiro de segurança fundamental para várias nações africanas. O parlamento turco aprovou recentemente legislação que destaca o envio das suas forças militares para a Somália durante dois anos, num esforço para melhorar a segurança interna contra o terrorismo.
“É provável que a cooperação em defesa se desenvolva ainda mais à medida que aumenta o número de incidentes que exigem armas. Desde 2011, Jihadista terroristas têm estado activos e desempenhado um papel importante na Região do Sahel“, disse Ípek.
De acordo com dados publicados pelo instituto de investigação para a paz SIPRI, na Suécia, a Turquia tornou-se o quarto maior fornecedor de armas à África Subsariana, devido às suas vendas de helicópteros de combate à Nigéria e de aeronaves de treino, bem como de drones não tripulados TB2 Bayraktar a vários países. Estados africanos.
Além de vender armas a África, a Turquia também lançou investimentos civis maciços naquele país. De acordo com o Ministro do Comércio, Ömer Bolat, ao todo 1.864 projectos foram concluídos nas últimas décadas, com investimentos turcos totalizando 85,4 mil milhões de dólares. A empresa de construção turca Yapi Merkezi, por exemplo, ganhou recentemente um contrato no valor de 2,35 mil milhões de dólares para modernizar a rede ferroviária na Tanzânia.
No entanto, as empresas turcas estão a lutar para competir com Empresas chinesasnomeadamente para garantir o financiamento necessário de grandes projetos, afirma Tepebas. “O Estado chinês apoia diretamente as suas empresas através do seu Exim Bank. As empresas turcas não podem obter o mesmo apoio dos seus bancos e, mesmo que o façam, os montantes não são comparáveis.”
Só em 2023, os investimentos chineses em África atingiram um total de 282 mil milhões de dólares. Em comparação, o investimento da Turquia até à data tem sido de cerca de 10 mil milhões de dólares.
Volkan Ipek acha que o envolvimento da Turquia em África fica para trás da Rússia politicamente e o da China economicamente. “Em vez de se concentrar principalmente nas importações e exportações, a Turquia deveria investir mais e empreender alguns megaprojectos”, disse ele e citou o chamado projecto Medusa como um bom exemplo – um cabo submarino de fibra óptica no Mediterrâneo que ligará o norte de África com o Sul da Europa e está a ser construído sem a Turquia.
Editado por: Uwe Hessler
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre
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27 de janeiro de 2026O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.
A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.
“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.
A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.
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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano
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20 de janeiro de 2026Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025
Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.
De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.
Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.
Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025
O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções
No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.
Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:
- ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
- quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.
No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.
Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo
O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.
É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.
Um ano que já começa “com cara de planejamento”
Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.
No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.
Rio Branco também entra no compasso de 2026
Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.
Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).
Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC
Por que isso importa
O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.
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