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POLÍTICA

Comunicação: A Culpa é do Mordomo

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Murillo Aragão

Em meio às críticas sobre a comunicação do governo, foi anunciada a nomeação de Sidônio Palmeira no lugar de Paulo Pimenta para a Secretaria de Comunicação (Secom). A mudança, no entanto, parece mais um movimento simbólico do que uma solução real, pois a questão parece ser muito mais de estratégias de comunicação do que de nomes.

O governo, tradicionalmente, se comunica muito mal, pois seu protocolo é determinado pelo binômio jornalismo-publicidade. O problema é que esses instrumentos, que outrora influenciavam o comportamento da sociedade, já não têm o mesmo peso e relevância que tinham no passado. Quando vemos que os canais fechados de notícias atingem pouco mais de 250 mil pessoas por minuto, fica comprovado o precário alcance do jornalismo tradicional. A publicidade, diante de um domínio da TV aberta, se expressa mais eficazmente se for tratada de forma segmentada.

A tática empregada atualmente é ultrapassada e ineficaz, centrando-se no despejo de dinheiro em anúncios, com a crença equivocada de que isso tornará a mídia mais favorável ou leniente. Enquanto isso, as redes sociais, que deveriam ser o coração de uma comunicação moderna, são geridas de forma precária, sem integração com o esforço governamental. A falta de uma narrativa clara e consistente se soma às infelizes declarações lacradoras, que frequentemente abalam as expectativas econômicas e políticas. Além disso, a comunicação deve ser concebida de forma estratégica.

O que fazer?

Primeiro, o governo precisa entender que sua comunicação deve ser abrangente e segmentada. Abrangente no sentido de utilizar múltiplas abordagens e instrumentos, indo além de anúncios ou patrocínios de eventos aliados. A comunicação deve incluir uma estratégia sólida nas redes sociais, que hoje são subestimadas. Mesmo com boas notícias — como o baixo desemprego, o crescimento econômico e a maior distribuição de renda — a obtusidade comunicativa do governo prevalece, criando um paradoxo: o que é bom, o governo esconde; o que é ruim, ele amplifica.

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Segmentar significa levar as mensagens ao público certo, empacotando iniciativas para atingir audiências específicas. Projetos para o Nordeste devem ser amplamente divulgados na região; políticas voltadas ao agronegócio precisam ter seus próprios canais de comunicação, que nem sempre são os tradicionais. A lógica é simples: comunicar diretamente com quem importa, em vez de dispersar recursos em tentativas genéricas. Dialogar mais com formadores de opinião e, sobretudo, ouvi-los.

O grande obstáculo

O principal obstáculo está na estrutura antiquada do governo, que se acostumou com a leniência ideológica de uma parte da mídia tradicional, oscilando entre privilegiar canais de confiança ou se fechar completamente, sem dar notícias. A abrangência e a segmentação requerem procedimentos modernos, mas muitos ministros sequer compreendem que isso faz parte de uma comunicação eficaz. Tome-se como exemplo as audiências, que são ferramentas excepcionais de comunicação segmentada. No entanto, há ministros que têm horror de atender audiências e mantêm agendas desorganizadas, desperdiçando oportunidades de diálogo e de divulgação de realizações.

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A situação piora ainda mais pela comunicação precária dentro do próprio governo. Ministros evitam interlocuções importantes, com atrasos constantes ou desinteresse em coordenar esforços. A falta de coesão interna impede que o governo fale com uma voz unificada, prejudicando a construção de uma narrativa consistente e consequente. Desunido e sem narrativa, o governo terá dificuldade em estruturar uma comunicação eficaz.

Portanto, o problema da comunicação do governo não é a falta de capacidade técnica, mas a leitura equivocada do que significa comunicar nos dias de hoje. Isso exige uma revolução ideológica no modelo de comunicação do governo. Sem essa mudança, a Secom continuará sendo vista como o mordomo de um equívoco que, na verdade, é cometido por todo o governo.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

Frase do dia: Ciro Gomes

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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Charge do JCaesar: 05 de maio

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