ACRE
Dois cachorrinhos ao mesmo tempo foi uma péssima ideia. Mas Earl e Monty roubaram meu coração | Jenny Sinclair
PUBLICADO
2 anos atrásem
Jenny Sinclair
Aconteceu acidentalmente: vendo uma ninhada de golden retrievers, num momento de fraqueza, pegamos dois em vez do único cachorrinho que havíamos prometido aos nossos filhos.
Não. Nós não “levamos dois”. O que aconteceu foi: depois que nosso filho adolescente escolheu seu cachorrinho, Earl, eu desabei e peguei outro que chamei de Monty.
Na subida, meu marido sugeriu levar dois. As crianças apoiaram a ideia, mas eu, o pragmático (leia-se: o realista) e também a pessoa que limpa o chão, disse: “de jeito nenhum”.
Dois cachorrinhos ao mesmo tempo é uma péssima ideia. Eles são mais difíceis de treinar e socializar e formarão uma díade de destruição em torno de sua casa e jardim. Mas, sentado na grama do quintal bem cuidado da casa do criador, me apaixonei instantaneamente por um dos cinco lindos, gordos e peludos bebês meninos em formato de feijão, de quatro semanas de idade – e não era Earl.
Então eu “cedi” ao desejo equivocado da minha família de ter dois cachorros, para conseguir meu cachorro. Justifiquei minha fraqueza – afinal, eles faziam companhia um ao outro quando estávamos fora de casa. Acontece que estava prestes a ser 2020 e durante vários anos não saímos de casa.
Um mês (e uma segunda viagem de retorno de oito horas para recolhê-los) depois, éramos os guardiões de uma coisa rara e preciosa: a beleza.
Os filhotes eram tão fofos quanto todos, é claro. Há uma razão pela qual eles usam filhotes de golden retriever em anúncios de papel higiênico, com suas clássicas carinhas de ursinho de pelúcia: penugem amarela, focinho comprido, três botões pretos para o nariz e os olhos. Mas à medida que as suas pernas se alongavam e os seus corpos se tornavam esbeltos e flexíveis, à medida que os seus pêlos ficavam mais longos, mais ondulados e mais dourados, eles tornavam-se simplesmente lindos.
Essa beleza desperta um tipo particular de deleite nas pessoas. Quando eu caminhava em direção a estranhos na rua com os cachorrinhos trotando ao meu lado ou caindo uns sobre os outros nas pontas das trelas, eu podia escolher o momento em que a outra pessoa via os cachorros. Seus rostos mudaram. Eles sorriram, até riram alto, inventaram coisas inteligentes para dizer. (Principalmente variações de “fofo”, “DOIS cachorrinhos!” e assim por diante, e meu favorito: “filhotes de leão!”). Muitos deles assumiram uma espécie de olhar ansioso.
Mesmo agora, quando os cães têm cinco anos de idade, a visão dos seus pêlos dourados recebe um segundo olhar, um terceiro, um tímido esticar a mão, de mais pessoas do que você imagina. Parte dessa alegria e admiração se estende a mim, enquanto estou com os cães aos meus pés e um admirador agachado diante de mim, oferecendo palavras de elogio.
As crianças cercaram os cachorrinhos no parquinho da escola na hora da entrega. Eles afundavam na terra e enterravam o rosto no pelo dos cachorrinhos. Eles imploravam para dar tapinhas neles, perguntar seus nomes e milhares de outras perguntas. Não se tratava tanto de admiração, mas de companheirismo: cachorrinhos e crianças têm muito em comum.
Após o bloqueio (e depois outro, e outro), os cães eram uma presença ingênua e que forçava a perspectiva em nossa casa: eles só sabiam que estávamos lá para ajudá-los e que eles podiam passear muito. Às vezes, eles eram o disjuntor que quatro pessoas presas em casa por meses a fio não conseguiam prescindir.
Dois cachorrinhos era uma má ideia. Meu jardim foi, e continua sendo, destruído. O chão da sala de estar precisa ser varrido e esfregado diariamente (e nem sempre é isso que acontece). Pequenos brinquedos de plástico desaparecem misteriosamente, apenas para reaparecer de maneiras indescritíveis, às vezes tendo sido processados pelo estômago de um canino – em uma direção ou outra. Perdemos a conta das idas de emergência aos veterinários ao menor indício de bateria engolida ou consumo de erva tóxica.
A lista de tarefas de cada dia teve alimentação, água, caminhadas e escovação adicionadas à lista de verificação. Os ursinhos de pelúcia foram substituídos por cães carentes, latindo e sempre não escovados o suficiente, que exigem um muito de pegar depois, se é que você me entende.
Os filhotes estavam em constante movimento. Quando caminhávamos, eles giravam em torno dos meus pés no sentido horário e anti-horário até que eu estava emaranhado em fitas azuis e vermelhas, bem amarrado em volta dos joelhos e tive que extrair lentamente cada fio para me libertar. Foi uma dança complicada que me deixou acorrentado e sitiado. Foi um pouco como ter filhos: a liberdade foi arrancada e substituída pelo amor.
Mas aprenderam: a andar de calcanhar, a andar ao meu lado, duas sombras douradas acompanhando o passo (as crianças, nem tanto).
Agora, quando passeio com os cachorros, sou algo mais do que eu mesmo, mais do que humano. Somos um bando.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
3 dias atrásem
26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
Relacionado
ACRE
Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
6 dias atrásem
23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
Relacionado
ACRE
Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login