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‘Esta é a sensação’: como um empresário libanês perdeu tudo em cinco anos de turbulência e guerra | Líbano

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Ruth Michaelson

FDa varanda de seu apartamento em um subúrbio endinheirado situado nas montanhas com vista para Beirute, Ibrahim Abdallah podia ver a fumaça subindo de uma noite de ataques aéreos que atingiram o subúrbios fantasmagóricos do sul abaixo.

Colunas de fumaça branca pairavam sobre os prédios fumegantes, cheios de cicatrizes e desertos e subiam pelas colinas arborizadas, onde alguns dos deslocados se misturavam com as pessoas que faziam uma caminhada noturna perto do palácio presidencial e do Ministério da Defesa libanês.

Abdallah e sua família ainda são membros do clube de campo próximo, mas no início deste ano ele vendeu seu barco de 10 metros de comprimento com interior de couro creme. No ano passado, ele vendeu um apartamento localizado entre os prédios da embaixada no bairro mais caro, mais acima, destinado a seu filho.

Fumaça sobe de um prédio destruído por um ataque aéreo israelense em Beirute em outubro. Fotografia: Daniel Carde/Getty Images

Ele tem 2 milhões de dólares no banco e os recibos que o comprovam, mas resistir às múltiplas crises financeiras e políticas do Líbano fez com que Abdallah vendesse as armadilhas da sua vida anterior para sustentar a si e à sua família.

Agora inclui seus pais e dois irmãos, junto com suas famílias, todos os 16 abrigados em sua casa e dormindo no chão da sala todas as noites, sentindo as ondas de choque e ouvindo os bombardeios que chovem entre seus apartamentos nos bairros abaixo.

Uma casa que construiu para a sua família na sua aldeia, perto da fronteira de facto com Israelfoi destruído sem possibilidade de reparo em uma greve no início deste ano.

“É assim que você se sente: você realizou seus sonhos, mas foi forçado a desistir. Você alcançou seus objetivos, então alguém tira isso de você”, disse ele.

Os seus problemas começaram depois de regressar ao Líbano, depois de 17 anos a viver e a trabalhar como promotor imobiliário de luxo no Dubai, convivendo com Ivanka e Donald Trump – a quem ele se refere como “meu amigo” – e com o rei da Arábia Saudita.

Abdallah chegou a Beirute em 2019, algumas semanas antes protestos antigovernamentais tomaram conta da capital e o país, exigindo a remoção do grupo de elite de políticos que se mantiveram no poder desde o fim da guerra civil do Líbano, um movimento ao qual aderiu com entusiasmo.

Sua esposa, Diana, largou o emprego como gerente de banco para ajudá-lo. Em resposta à agitação, os bancos do país fecharam, deixando Abdallah sem acesso às suas poupanças e sem dinheiro em casa. Da noite para o dia, ele perdeu o acesso ao seu dinheiro.

Abdullah em casa, nos subúrbios de Beirute. Fotografia: Daniel Carde/The Observer

O que se seguiu foi mais tarde descrito pelo Banco Mundial como uma das piores crises económicas e financeiras a nível mundial em 150 anos, catapultando grande parte do país para a pobreza. À medida que o Líbano avançava cambaleante, foi atingido pelos efeitos da pandemia de Covid e por uma explosão mortal no porto de Beirute em 2020 que destruiu grande parte da capital.

Abdallah continuou a protestar, juntando-se e organizando um grupo de depositantes que desabafaram a sua fúria – primeiro atacando agências bancárias e depois chegando ao ponto de tentar roubá-las para recuperar os seus depósitos, na esperança de inspirar outros a fazerem o mesmo.

O homem de 44 anos encontrou-se na encruzilhada de cada uma das principais crises que atingiram o Líbano nos últimos cinco anos. Isto inclui a escalada dos bombardeamentos israelitas destinados a atingir Hezbolámatando mais de 3.300 pessoas desde o ano passado, bem como deslocando pelo menos 1,4 milhão, segundo o primeiro-ministro interino do Líbano, Najib Mikati.

Abdallah não tem qualquer ligação com o grupo militante islâmico e até concorreu ao parlamento há dois anos com uma chapa independente, opondo-se ao Amal e ao Hezbollah, partidos políticos que tradicionalmente representam a comunidade xiita no sul do Líbano.

Isto pouco fez para poupar a sua casa na aldeia de Khiam, que foi destruída por um ataque aéreo israelita no início deste ano.

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Ibrahim Abdallah exibe uma foto de smartphone de sua casa no sul do Líbano depois de ter sido destruída por um ataque aéreo israelense em outubro. Fotografia: Daniel Carde/The Observer

“Eles atingiram minha casa, que fica sozinha em uma colina. Por que eles iriam querer bater na minha casa? É mentira que tenham como alvo o Hezbollah – tenho a certeza de que só querem destruir coisas. Eles querem colocar as pessoas umas contra as outras”, disse ele.

Abdallah tinha lágrimas nos olhos ao lembrar-se da última visita à propriedade que costumava chamar de “casa dos sonhos”, com vistas para as Colinas de Golã ocupadas e para o norte de Israel, onde seus filhos brincavam na piscina e a família faria churrasco sob as estrelas. O seu tio ajudou-o a escolher o terreno certo na aldeia da sua família e Abdallah não poupou despesas ao construir a propriedade de dois andares com a sua elegante pedra e exterior com painéis de madeira.

Quando lá pisou pela última vez para recolher algumas garrafas de azeite e alguns pertences, foi dias depois do ataque de 7 de Outubro de 2023 por Hamas militantes em cidades e kibutzim ao redor de Gaza, que matou cerca de 1.200 pessoas. Houve alguns lançamentos iniciais de foguetes do Hezbollah contra o território israelense em uma demonstração de apoio ao Hamas, mas Abdallah nunca pensou que sua casa seria afetada. Tudo o que lhe restou foram fotos do esqueleto carbonizado do edifício, seu orgulhoso exterior agora um destroços emaranhados de concreto irregular com buracos onde antes ficavam as paredes e detritos enchendo a piscina. Quando um primo em Khiam telefonou para dizer a Abdallah que a sua casa tinha sido atacada em Abril, o homem mais conhecido por queimar pneus à porta de bancos e gritar sobre corrupção retirou-se para o seu quarto para chorar.

“Está destruído – não há teto. Só pode ser demolido”, disse ele. “Mesmo que eu quisesse reconstruí-lo, meu dinheiro fica preso no banco. Quero ser capaz de reconstruir nosso futuro. Mas os bancos levaram todo o nosso dinheiro.”

O apartamento dos seus pais, no meio dos subúrbios ao sul de Beirute, também foi destruído por um ataque aéreo que atingiu um edifício adjacente, e a voz de Abdallah falhou ao descrever os danos. O apartamento, que agora é uma confusão de vidro quebrado e concreto picado, “tem uma história”, disse ele: a família o comprou para facilitar a jornada de seu irmão para o tratamento do câncer, há duas décadas.

Ele continua desapontado pelo facto de o governo não ter conseguido preparar-se para os efeitos da escalada da guerra, furioso com os políticos e as elites que conseguiram transferir o seu dinheiro para fora do Líbano, enquanto outros sofreram e ficaram desencantados com muitos dos revolucionários ao lado dos quais ele uma vez protestou.

Abdallah teme o que descreve como um conflito interno crescente, cauteloso com as bandeiras de diferentes grupos políticos e, por vezes, armados, que agora ladeiam as auto-estradas e estão penduradas em edifícios em Beirute.

“Esta guerra entre os Estados Unidos e o Irão está a afectar-nos internamente”, disse ele. “Tudo o que sei é que somos vítimas inocentes de uma guerra da qual não fazemos parte. Para ser honesto, vejo um futuro sombrio.” A varanda de Abdallah também oferece uma visão clara da pista do aeroporto de Beirute e do Mediterrâneo. Tal como muitos no Líbano, ele e a sua família procuram saídas, de preferência para os Emirados, apesar das repetidas e misteriosas recusas de visto de trabalho para a sua antiga casa.

“Eu amo este país, mas quero que meus filhos vivam em outro lugar”, disse ele. “Tudo que preciso é trabalhar novamente. Não gosto de ser negativo, deixar que destruam o que quer que seja, só quero voltar a trabalhar. Eu quero uma vida decente. Não é para mim, é para o futuro dos meus filhos.”



Leia Mais: The Guardian

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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre

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O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.

Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.

A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.

As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

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Organização

A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

1º Seminário Acadêmico de Apresentação de TCCs-2026 (4).png



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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre

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A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.

Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.

Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.

Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.

Herbário

O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.

Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.

A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.



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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.

A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.

Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.

Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”

A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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