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EUA: O que são as ‘cidades-santuário’ de imigrantes – 30/01/2025 – Mundo

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Darío M. Brooks

Há cidades nos Estados Unidos que se autodenominam “santuários”. Los Angeles, Nova York, Houston, Chicago ou Atlanta são algumas delas, com grande presença de migrantes sem documentos que têm políticas locais mais favoráveis à migração do que outras partes do país.

Mas, como foi o caso durante seu primeiro governo, a chegada de Donald Trump à Casa Branca representa um desafio para esses casos.

O presidente dos EUA prometeu implementar uma política rígida de deportação de imigrantes sem documentos, com o objetivo de retirar um milhão de pessoas do país. E ele e suas principais autoridades têm como alvo essas cidades-santuário.

Chicago é uma das primeiras. O governo Trump ativou as primeiras operações e batidas para deter e deportar imigrantes sem documentos nessa cidade do norte do país. Mas elas também foram vistas no fim de semana em Atlanta, Denver, Miami e San Antonio.

O que significa para uma cidade se autodenominar “santuário” e como isso pode realmente beneficiar os imigrantes sem documentos?

A questão da parceria

O termo “santuário” para essas cidades vem da Idade Média, quando os mosteiros eram um santuário ou proteção para viajantes que queriam ser protegidos de bandidos ou pessoas que sofriam perseguição de escravos. Mas, nos EUA, esse termo passou a ser usado no final do século 20.

“Nas décadas de 1980 e 90, ela renasceu graças a alguns membros religiosos e ativistas que ajudaram migrantes de El Salvador ou da Guatemala a escapar de regimes ditatoriais para entrar nos EUA e permanecer em comunidades seguras, em cidades como Los Angeles, São Francisco ou Washington”, explica à BBC o sociólogo Ernesto Castañeda, diretor do Laboratório de Imigração e do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Americana em Washington.

Com o movimento pelos direitos dos imigrantes daqueles anos, inspirado pelas lutas na França e em outros países, alguns ativistas nos EUA começaram a se referir às cidades com grandes populações sem documentos como “santuários”.

“É uma autodeclaração simbólica. Não tem definição legal, não existe uma lei federal de ‘santuário’ que diga o que é legal, o que é ilegal. É um caso a caso. Mas essas são cidades onde se busca a tolerância para com as populações estrangeiras, minoritárias e sem documentos”, diz Castañeda.

Desde então, as autoridades de grandes cidades, como Nova York ou Los Angeles, começaram a adotar políticas mais favoráveis aos migrantes, sendo uma das principais o tipo de colaboração que mantêm com os órgãos federais de migração.

Quando uma pessoa sem documentos é detida pela polícia local, há duas opções: verificar seu status imigratório e notificar as autoridades de imigração ou não.

“Em Nova York, por exemplo, não há nenhuma exigência de que, se alguém for detido e não tiver documentos, as autoridades federais devem ser notificadas imediatamente. Mas as autoridades de imigração podem solicitar que a pessoa seja detida”, explica Castañeda.

Outras cidades, principalmente de governos republicanos no sul do país, procuram processar os migrantes sem documentos por meio de agências federais.

“A questão é se a polícia espera que essas autoridades federais entrevistem e iniciem os casos de deportação ou se as pessoas são liberadas se não forem culpadas de um crime grave. É aí que há discrição”, diz ele.

Como cada estado ou autoridade local tem suas próprias leis e políticas, cada força policial local, mesmo entre as que estão na mesma metrópole, pode ou não colaborar com os órgãos federais de migração.

A polícia da cidade de Los Angeles é diferente da de Santa Mônica, embora estejam próximas, na mesma região metropolitana. Assim como os prefeitos, os chefes de polícia podem seguir suas próprias regras.

Castañeda ainda ressalta que há discrição entre os próprios policiais e até mesmo entre os escritórios do Immigration and Customs Enforcement (ICE) em cada localidade.

No entanto, o governo Trump —e outros republicanos no passado— procura garantir que haja o máximo de coordenação e colaboração possível.

Não se trata de uma defesa absoluta

Quando uma pessoa sem documentação mora em uma cidade santuário, embora ele possa esperar facilidades para lidar com as autoridades sem ter que provar sua situação imigratória, isso não garante que os agentes federais não poderão cumprir suas funções.

Se uma pessoa sem documentos for presa por um crime, as autoridades de imigração que tomarem conhecimento do fato têm o direito de processá-la. Elas também podem invadir locais como empresas ou locais públicos, bem como residências particulares.

“Nos Estados Unidos contemporâneos, não existe uma verdadeira cidade ‘santuário’, onde agências federais como o ICE não entram para deportação. Não é verdade que uma pessoa sem documentos que chegue lá e peça asilo não possa ser deportada”, diz Castañeda.

Ele garante que isso é algo que muitos imigrantes sem documentação sabem: “Se estiverem em situação irregular e tiverem ordens de deportação, eles desconfiam muito da polícia, não querem cometer nenhum crime, tentam não dirigir ou sair para não confrontar as autoridades. Dirigir embriagado ou algo do gênero pode levar à deportação.”

No entanto, as críticas de Trump e de outros políticos republicanos têm sido constantes em relação à suposta “proteção” de imigrantes sem documentação por governos democratas em cidades-santuário.

Eles também criticam o fato de esses migrantes poderem fazer uso de programas de apoio ou de saúde, ou de serem favorecidos por recursos públicos.

“Os migrantes usam menos programas de assistência social do que outros grupos. Eles pagam mais impostos e aposentadorias que nunca reivindicam quando se aposentam, porque usam números falsos de seguro nacional ou deixam o país”, diz Castañeda, coautor do livro “Immigration Realities: Challenging Common Misperceptions” (realidades da imigração: desafiando percepções errôneas comuns, em tradução livre).

“Eles não pedem reembolso de impostos pagos em excesso. E muitos não se qualificam para programas de assistência por medo de serem expostos”, acrescenta.

O fato de as cidades-santuário não cooperarem com as agências de imigração também implica uma diferença em termos de obtenção de recursos do governo federal.

A Casa Branca pode favorecer as autoridades estaduais e locais que ajudam suas políticas de imigração.

As administrações republicanas, como a de George W. Bush ou a primeira de Donald Trump, usaram regulamentações como a “Seção 287(g)” para incentivar as autoridades locais com recursos para realizar tarefas federais, como a revisão do status de imigração.

Chicago no centro das atenções

Em seu primeiro dia no cargo, Trump assinou uma série de decretos sobre imigração que incluíam a revogação de uma lei que proibia os agentes federais de procurar imigrantes sem documentos em igrejas, escolas e hospitais, locais que antes eram considerados “sensíveis” e deveriam permanecer isentos de batidas de imigração.

Tom Homan, um de seus chefes na estratégia contra os imigrantes indocumentados, que foi chamado de “czar da fronteira”, garantiu que uma das primeiras cidades a procurar e capturar esses imigrantes seria Chicago.

A cidade e o estado são governados por democratas. O prefeito Brandon Johnson e o governador J.B. Pritzker afirmaram que apoiam as leis de cidade santuário, conhecidas como decretos de “Cidade Acolhedora”.

No entanto, no domingo (26), operações de imigração de várias agências foram realizadas em Chicago, com a presença de autoridades seniores na cidade para supervisioná-las.

Várias fontes disseram à CBS News, parceira da BBC nos EUA, que o alvo eram migrantes com mandados de prisão ativos.

Mas, desde a ascensão de Trump ao poder, existe a preocupação de que ela não se limite àqueles que já estão sujeitos a processos, mas se aplique a todos os sem documentação em geral, a fim de atingir o grande número prometido de centenas de milhares de deportados em seu governo.

Uma igreja até parou de oferecer missas em espanhol por medo de que os migrantes latinos fossem alvo dos agentes.

“Já temos crianças que estão começando a ter medo de ir à escola e não encontrar seus pais quando voltam para casa… Não queremos colocar nenhum membro de nossa congregação em risco de ser deportado”, disse a reverenda Tanya Lozano à BBC dias atrás.

Castañeda argumenta que “o que o chamado ‘czar da imigração’ Homan está fazendo agora é viajar para cidades como Chicago para observar como os escritórios locais do ICE operam e para pressionar as autoridades locais por meio da mídia com ameaças de batidas”.

“Em La Villita, um bairro muito mexicano e muito latino em Chicago, as pessoas estão com medo. E você vê que há menos atividade econômica e presença nas ruas, além da estação fria. Afinal de contas, se o ICE chegar, não há muito que o prefeito possa fazer para evitar invasões”, acrescenta.

Entretanto, Castañeda ressalta que, até o momento, não vimos nada em uma escala muito diferente do que aconteceu no passado, inclusive durante as administrações democratas na Casa Branca.

“Houve deportações, inclusive durante o governo de Joe Biden ou Barack Obama, que foram muito grandes. Mas havia menos cobertura diária da mídia sobre essas deportações. E agora os números são semelhantes, mas há muito mais atenção do público para o que está acontecendo e como está sendo feito”, ressalta o especialista.

“Mas parece que ele quer fazer algo em uma escala maior, em uma velocidade mais alta, com mais agressividade.”

Este texto foi publicado originalmente aqui.



Leia Mais: Folha

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

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A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose-interna.jpg

A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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