ACRE
Meu amigo continua me enviando material não solicitado sobre teorias da conspiração. Devo pedir-lhes para pararem? | Vida e estilo
PUBLICADO
1 ano atrásem
Eleanor Gordon-Smith
Meu amigo começou a me enviar muitos links e artigos sobre UAPs (fenômenos anômalos não identificados, também conhecidos como OVNIs). Tentei afirmar gentilmente que não considero as fontes confiáveis ou credíveis e que não acredito que meios de comunicação respeitáveis estejam conspirando para esconder a verdade, mas elas ainda persistem. Devo pedir-lhes para pararem? Acho que essas teorias da conspiração são realmente prejudiciais.
Leonor diz: Uma pergunta é: você pode impedir seu amigo de acreditar nessas teorias da conspiração? Lamentavelmente, quase certamente não, pelo menos não sem um enorme investimento de tempo e paciência. As pessoas são livres para pensar o que quiserem e alguns de nós fazem uso dessa liberdade dos mais estranhos usos. Pelo menos podemos ser gratos pelas conspirações às quais seu amigo se apegou são sobre objetos no céu e não, digamos, sobre qual espécie reptiliana está controlando secretamente as coisas.
Uma questão diferente é: você pode mudar as normas do relacionamento para não ter que se envolver nisso? Felizmente, essa é uma missão diferente.
Tenha cuidado para não confundir essas questões ou as estratégias que elas recomendam. O primeiro requer muita gentileza, adesão, tempo e empatia. Há muitas pesquisas interessantes e importantes sendo feitas sobre por que as pessoas consideram as teorias da conspiração emocionantes. Muitas vezes essas crenças não se comportam como crenças normais; eles não chegam por meio de evidências, não vão embora por meio delas, e muitas vezes parece ser mais uma espécie de peça de teatro ou entretenimento do que um compromisso genuíno com a verdade. Isso faz com que afrouxar lentamente o controle de uma teoria da conspiração seja uma tarefa muito mais complexa do que a antiquada persuasão cognitiva: é preciso dar muito respeito, tempo e suporte emocional.
Pedir para mudar um relacionamento pode ser muito mais simples do que pedir a alguém que mude de ideia. Você não precisa deles para entender “você está errado”. Você só precisa que eles entendam “Não quero falar sobre isso”. Não se trata de litigar os fatos lá fora, sobre os objetos giratórios no céu e quem está definindo a agenda da mídia. É sobre os fatos dentro do seu relacionamento – sobre o que você quer e vai tolerar. Felizmente, é muito mais fácil se posicionar como um especialista naquilo que você você deseja do que como um especialista em UAPs, então você tem muito mais autoridade para dizer “não, porque eu disse”.
Se você pedir ao seu amigo para parar de compartilhar isso, tente se limitar a essa área de especialização: diga coisas sobre suas próprias preferências e sobre o que você está preparado para falar, e não sobre quem está certo sobre o assunto. Mire em mudar o relacionamento, não vise mudar a mente.
O riso pode ser um bloqueador social eficaz para esse tipo de missão. Quando estamos no jogo da persuasão, tendemos a ser muito sérios e a respeitar uns aos outros. Acontece o oposto quando dizemos às pessoas onde não devem agir: precisamos de paralisações rápidas e eficazes. O riso pode ser uma maneira muito eficiente de fazer isso. Sinaliza “não!” sem necessariamente demonstrar hostilidade ou convidar à discussão. Talvez da próxima vez que você receber um link desse amigo, você apenas responda “haha, já chega desses links para mim”.
Falando em termos tonais, isto está a um mundo de distância de todas as reverências e críticas do tipo “Entendo o que você quer dizer, mas com o devido respeito, aqui estão algumas contra-evidências”. Isso porque eles estão tentando realizar coisas diferentes. Um visa litigar o caso. O outro visa traçar um limite. Ser claro sobre o que você está tentando fazer pode ajudar a informar sua estratégia.
Faça uma pergunta para Leonor
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
Relacionado
ACRE
Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
Relacionado
ACRE
UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 dia atrásem
15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login