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O que está por trás da divisão política global entre homens e mulheres jovens? | Eleições nos EUA 2024

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Jonathan Yerushalmy

UMé o partido Democrata lambe suas feridas e se prepara para o regresso de Donald Trump à Casa Branca, um coro crescente de comentadores insta o partido a enfrentar uma mudança histórica nos padrões de votação, que fez com que os latinos, a classe trabalhadora e os homens negros se deslocassem para a direita em 2024.

Mas talvez o grupo que oferece os avisos mais graves sobre as perspectivas futuras do partido seja o dos jovens. Em 2024, homens com idades entre os 18 e os 29 anos compareceram em força a Trump, com o republicano a vencer a demografia por 14 pontos, invertendo uma tendência geracional que durante décadas viu os jovens favorecerem candidatos de tendência esquerdista.

Os especialistas atribuem isso a uma reação contra o movimento #MeToo, aos esforços para alcançar a igualdade de gênero e ao isolamento de fontes de entretenimento e notícias, mas A vitória de Trump na “manosfera” é apenas uma parte de um fenómeno sem precedentes em todo o mundo, no qual a política de uma única geração se dividiu em função da divisão de género.

Embora os votos ainda estejam a ser apurados, as eleições da semana passada abriram um abismo entre as preferências políticas dos jovens dos 18 aos 29 anos na América. A vitória sísmica de Trump entre os jovens foi espelhada quase inversamente pela enorme vitória de 18 pontos de Kamala Harris entre as mulheres jovens. Nomeadamente, essa margem é mais do dobro da disparidade de género no eleitorado geral; Harris conquistou eleitoras de todas as idades por apenas sete pontos.

Neste aspecto, os EUA não são os únicos; a polarização política entre os géneros tem vindo a crescer entre os jovens em todo o mundo. Nas eleições presidenciais de 2022 na Coreia do Sul, houve uma diferença de apenas alguns pontos na preferência de voto entre homens e mulheres em todas as faixas etárias, exceto aqueles com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos.

Na Geração Z houve uma diferença de quase 25 pontos na votação no partido Poder Popular, de tendência conservadora.

Os mesmos padrões ocorrem noutros lugares: nas eleições gerais de 2024 no Reino Unido, quase duas vezes mais mulheres jovens votaram nos Verdes do que homens jovens (23% a 12%). Por outro lado, os homens jovens eram mais propensos a votar na Reforma do Reino Unido de Nigel Farage (12% a 6%). Entretanto, na Alemanha, uma amostra de inquéritos recentes mostrou que os homens entre os 18 e os 29 anos tinham duas vezes mais probabilidades de votar na AfD, de extrema-direita, do que as mulheres na mesma faixa etária.

Apesar do desempenho abaixo das expectativas no Eleições polonesas de 2023a Confederação de extrema direita – que se opunha aos mandatos de vacinas e à migração em massa, e era cética em relação à crise climática – viu o seu apoio mais forte entre jovens de 18 a 29 anosa grande maioria dos quais eram homens.

A liderança do partido adoptou uma linha abertamente misógina, com um dos seus membros mais proeminentes, Janusz Korwin-Mikke, a dizer após as eleições que “as mulheres não deveriam ter o direito de votar”.

Câmaras de eco e a erosão da experiência compartilhada

A reacção contra a igualdade de género é um dos motores universais da polarização entre homens e mulheres jovens em todo o mundo, afirma a Dra. Alice Evans, professora sénior de ciências sociais do desenvolvimento no King’s College.

“Há uma preocupação crescente entre os homens jovens de que talvez o DEI (diversidade, equidade e inclusão) esteja a ir longe demais”, diz ela, acrescentando “algumas dúvidas se os ganhos das mulheres estão a ocorrer à custa delas”.

Um estudo da Ipsos de 2024 confirma isso. Recolhendo amostras de todo o mundo – incluindo Austrália, Brasil, França, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Turquia – os investigadores descobriram que, quando se trata de igualdade de género, aqueles com idades entre os 18 e os 29 anos apresentam as maiores diferenças de opinião entre os sexos.

Na afirmação “um homem que fica em casa para cuidar dos filhos é menos homem”, 10% das mulheres da geração baby boomer e 11% dos homens da geração baby boomer concordaram. Entre a Geração Z, no entanto, houve uma diferença de opinião de 11 pontos, 31% para os homens e 20% para as mulheres.

De acordo com algumas sondagens, o fenómeno tem tanto a ver com uma mudança para a direita por parte dos homens, como com uma mudança para a esquerda por parte das mulheres. Em Setembro, a Gallup entrevistou adultos com menos de 30 anos nos EUA e descobriu que as mulheres estavam a mover-se para a esquerda numa série de questões.

Em questões como o ambiente, o controlo de armas e o acesso ao aborto, os homens e mulheres da Geração Z tinham, de longe, a maior disparidade de pontos de vista.

O padrão repete-se em inquéritos em todo o mundo, mostrando homens e mulheres jovens com divisões de atitudes historicamente enormes – a questão é porquê?

“São bolhas de filtros nas redes sociais e empreendedores culturais”, diz Evans, que tem escreveu longamente sobre o assunto.

A Geração Z cresceu num ambiente mediático fragmentado que assistiu à erosão das experiências culturais partilhadas. Evans dá um exemplo de sua própria infância na Inglaterra: “Tínhamos apenas quatro canais de TV, todos os meus amigos assistiam apenas às notícias da BBC, Os Simpsons ou Friends. Havia muito pouca escolha, então todos assistiam a mesma coisa.”

Hoje, porém, a mídia é consumida por meio de smartphones e as opções entre plataformas tradicionais – bem como serviços mais recentes como Netflix, YouTube e TikTok – são quase infinitas.

“As pessoas podem selecionar suas próprias preferências”, diz Evans, “e então o algoritmo corporativo entra em ação para mantê-lo conectado… fornecendo informações que outros usuários como você gostaram”.

As pessoas esperam que Donald Trump fale num comício em Nova Iorque. Fotógrafo: John Locher/AP

É nessas câmaras de eco que os empreendedores carismáticos prosperam, diz Evans.

Joe Rogan é um dos podcasters mais populares do planeta – seu programa está no topo das paradas nos EUA, assim como na Austrália, no Reino Unido e no Canadá – mas seu público é superior a 80% do sexo masculino, de acordo com o YouGov.

“Você está consumindo essa mídia, ouvindo essas perspectivas e, seja Joe Rogan ou outros, você passa a confiar neles”, diz Evans.

Donald Trump enfrentou críticas pelo aparente foco estreito de suas aparições eleitorais, evitando uma série de meios de comunicação tradicionais para entrevistas em podcasts apresentados por Rogan, Logan Paul e Theo Von. Mas os especialistas dizem que foi uma estratégia que pode tê-lo ajudado a fixar um grupo demográfico eleitoral que tradicionalmente escapa aos políticos de direita.

“Os jovens estão tentando compreender o seu lugar na sociedade que está evoluindo rapidamente”, Daniel Cox, do American Enterprise Institute, disse à BBC. “Essas são preocupações muito reais e há uma sensação na esfera política de que ninguém as está defendendo.”

Antes das eleições de 2024 nos EUA, Hasan Doğan Piker, YouTuber e streamer de videojogos, alertou que o Partido Democrata estava a ficar para trás em relação aos republicanos no que diz respeito ao domínio destes espaços online.

Donald Trump no podcast de Theo Von. Fotografia: Theo Von/YouTube

“Se você é um cara com menos de 30 anos e tem algum hobby, seja jogar videogame, malhar ou ouvir um podcast de história, cada faceta disso é dominada pela centro-direita… pela direita trumpiana, ”ele disse ao podcast Pod Save America.

A acumulação de espaços, a erosão de experiências partilhadas e o ressentimento relativamente aos esforços de igualdade de género estão todos a conduzir a problemas enormes e intratáveis ​​que vão além do último ciclo eleitoral.

Em todo o mundo, as taxas de fertilidade estão em queda livre, criando enormes problemas para as economias, uma vez que diverso como a Coreia do SulSuécia e Austrália. Os governos de todo o mundo lançaram esforços multifacetados para incentivar os casais a terem filhos, com políticas que visam os custos de cuidados infantis e a escassez de habitação.

Especialistas dizem que a erosão da socialização entre os géneros começa na escola. De acordo com a Associação Japonesa de Educação Sexual, apenas um em cada cinco meninos do ensino médio deu o primeiro beijo – o valor mais baixo desde que a organização realizou o seu primeiro inquérito sobre o comportamento sexual entre os jovens em 1974.

Mas é nas escolas que a luta contra este isolamento crescente precisa de começar, diz Evans. Pode parecer uma gota no oceano, mas proibir os telefones nas escolas e investir em centros locais para jovens poderia ajudar a inverter a maré da polarização.

“Os telefones competem com os contactos pessoais”, diz Evans, mas se os jovens passarem mais tempo com o sexo oposto, se tornarem amigos e estabelecerem relacionamentos, começarão a ver o quanto podem ter em comum.”



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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