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Quem é Susie Wiles, a ‘dama de gelo’ de Trump nos EUA – 08/11/2024 – Mundo

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Fernanda Perrin

À vitória de Donald Trump seguiu-se uma frenética busca por respostas para explicar seu retorno à Casa Branca. Uma delas é uma discreta senhora de jeito tranquilo, cabelos brancos e óculos espelhados.

Graças a Susie Wiles, 67, os adjetivos “profissional”, “disciplinada” e “organizada” foram usados pela primeira vez para descrever uma campanha do agora presidente eleito.

Ele a recompensou com o segundo cargo mais importante de Washington. Será a chefe de gabinete de seu governo, a primeira mulher a exercer essa função na história. A dúvida é se conseguirá gerenciar seu mandato com a mesma mão de ferro com que comandou a campanha.

A “dama de gelo”, nas palavras de Trump, é uma velha operadora política da Flórida. Os dois tiveram o primeiro contato antes da eleição de 2016, quando ela integrou a operação local da campanha trumpista. Em 2020, conseguiu entregar ao republicano a única vitória obtida por ele à época nos estados-pêndulo.

Quando a carreira política de Trump parecia acabada, após a invasão do Capitólio em 2021, Wiles aceitou o convite de Trump para ser seu braço direito. Ela é creditada como a pessoa responsável por manter –o tanto quanto possível– o empresário focado na estratégia e contornar seus arroubos mais danosos.

“Vou lhe dizer uma coisa: o Donald Trump que eu passei a conhecer não age dessa forma, e pela lente com que o vejo, não enxergo nada disso”, afirmou ela sobre a retórica violenta do empresário ao jornal Tampa Bay Times, em 2016. “Vejo pontos fortes, vejo inteligência, vejo uma ética de trabalho sem igual.”

Wiles é filha de Pat Summerall, ex-jogador de futebol americano pelo New York Giants e que entrou para o imaginário americano como comentarista esportivo. Alcoólatra, foi um pai ausente, e creditou a uma carta escrita pela filha sua decisão de se abster da bebida.

Um perfil de Wiles publicado no site Politico tenta traçar um paralelo entre crescer com um pai viciado e trabalhar para um político intempestivo. Nos dois casos, argumenta o texto, é necessária uma habilidade sofisticada de ler o ambiente, as variações de humor e entender o que se pode e não controlar. E também a hora de se fazer indispensável, e a de se fazer invisível.

Psicologismos à parte, Wiles é descrita por pessoas de todo o espectro político como uma pessoa extremamente competente e inteligente. Uma das poucas capazes de dizer não a Trump sem sofrer as consequências disso.

É também uma das raras pontes entre o trumpismo e o establishment republicano, seu berço político. O anúncio de seu nome para chefe de gabinete foi elogiado até por Jeb Bush.

Essas qualidades deixam muitos intrigados com o que a levou a se associar ao empresário —uma pergunta que o jornalista Michael Kruse, autor de seu perfil para o Politico, diz ter ouvido de muitas fontes que entrevistou.

“Em minha carreira inicial, coisas como boas maneiras eram importantes, e havia um nível esperado de decoro. E entendo que o Partido Republicano de hoje é diferente. Existem mudanças com as quais precisamos conviver para realizar as coisas que estamos tentando fazer”, disse ela ao repórter.

E ela soube muito bem navegar essas mudanças. Em 2018, Wiles comandou a bem-sucedida campanha de Ron DeSantis para se tornar governador da Flórida. Mas, pouco depois, os dois entraram em conflito. Relatos na imprensa dizem que o republicano, sua esposa e seu chefe de gabinete começaram a se incomodar com o poder que Wiles concentrava no estado —e com os louros que recebia pelo sucesso eleitoral.

A pedido dele, Trump demitiu-a de sua operação pouco antes da eleição de 2020 –uma decisão que ele provavelmente amarga hoje em dia.

Visto como o principal concorrente de Trump na disputa pela nomeação republicana antes das primárias, a pré-candidatura do governador da Flórida rapidamente derreteu. A imagem de que ele seria um Trump sem o caos que cerca o ex-presidente foi gradualmente substituída por uma caricatura de um homem desajeitado, sem traquejo social. Foi uma destruição brutal.

Esse poder de sorrateiramente moldar a narrativa é um dos trunfos da futura chefe de gabinete, que cultiva habilmente suas relações com jornalistas. Ela é vista como alguém que sabe se fazer essencial para quem é essencial a ela. Wiles é próxima da família Trump e dos aliados mais próximos do ex-presidente.

Quando ele anunciou sua desistência, Wiles postou em seu perfil no X pela primeira vez em meses: “Bye, bye”.



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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