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Rússia amplia seus critérios para um ataque nuclear – DW – 21/11/2024

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O presidente russo, Vladímir Putinaprovou uma atualização da doutrina nuclear do país que amplia a lista de condições sob as quais a Rússia pode lançar um ataque nuclear. O nova política afirma que a Rússia se reserva o direito de usar armas nucleares em resposta à agressão de um Estado, mesmo que este país não possua armas nucleares próprias. Se o agressor for apoiado por uma potência nuclear, isso é considerado suficiente. Nesses casos, mesmo um ataque convencional à Rússia seria considerado um ataque conjunto e poderia desencadear uma resposta nuclear.

O texto não contém referências específicas a Estados específicos, mas no contexto da guerra actual, existem paralelos claros com a Ucrânia — um país que não possui armas nucleares — e os seus aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos e a França, que são potências nucleares.

O texto antigo ganha um novo significado

Em declarações à DW, Pavel Podvig, analista independente e especialista em forças nucleares russas, destacou que a formulação está em vigor desde 1995. No entanto, diz ele, naquela altura a suposição era que o cenário se desenrolaria ao contrário: “ Uma potência nuclear era vista como a fonte potencial de agressão – quase certamente em referência a um Estado da NATO – e o seu aliado não nuclear também seria punido.”

De acordo com a nova doutrina, a agressão contra a Rússia ou os seus aliados por um Estado que faz parte de uma aliança militar, como a NATO, também será considerada como agressão por toda a coligação.

Mais ‘ameaças militares’

Além disso, a doutrina revista diz que o Kremlin também pode considerar o uso de armas nucleares se tiver “informações confiáveis ​​sobre a implantação massiva de recursos aéreos e espaciais” cruzando o território russo. Isso inclui aviões, mísseis e drones.

Vladimir Putin de terno azul e gravata roxa, sentado em uma cadeira dourada, atrás de dois microfones
Vladimir Putin preside uma reunião da conferência permanente do Conselho de Segurança da Rússia sobre dissuasão nuclear em setembro de 2024Imagem: Aleksei Nikolsky/Pool Sputnik Kremlin/AP/dpa/aliança de imagens

O novo documento amplia assim a lista das chamadas ameaças militares que justificariam o uso de uma dissuasão nuclear. Estas incluem agora a posse de todos os tipos de armas de destruição maciça que poderiam ser usadas contra a Rússia, bem como exercícios militares perto das suas fronteiras.

Além disso, a doutrina afirma que as armas nucleares russas podem ser utilizadas se houver uma “ameaça crítica à soberania da Federação Russa e às armas convencionais”. Não esclarece o que deve ser considerado uma “ameaça crítica”.

‘Crítico’ é a palavra decisiva

Pavel Podvig observa que a versão anterior referia-se apenas à “existência do próprio Estado” estar sob ameaça. Quanto a saber se a ocupação de partes da Rússia Região de Kursk do exército ucraniano ou os ataques com mísseis dos EUA contra aeródromos russos seriam considerados uma ameaça à integridade territorial da Rússia, Podvig concentra-se no uso da palavra “crítico” pela nova doutrina.

Não está claro, diz ele, que tipo de ameaça seria considerada crítica e qual não seria. Ele comenta que tais coisas são deixadas intencionalmente indefinidas: Sempre há espaço para interpretação em documentos como este. “Como sempre digo”, comenta Podvig ironicamente, “eles não vão discutir isso no tribunal: ninguém vai realizar uma audiência antes de realizar um ataque nuclear”.

No entanto, ele acredita que há um certo sentido em formulá-lo desta forma. “Como, por exemplo, poderia a perda teórica do territórios ucranianos anexados ser percebido? A Rússia pode, naturalmente, alegar que isto representa uma ameaça crítica à sua integridade territorial, mas ninguém mais no mundo reconhece estes territórios como parte da Federação Russa.” Seria, portanto, difícil, diz Podvig, argumentar que isto constituiu um problema crítico. ameaça à sua soberania.

Escombros da siderúrgica Azov destruída, incluindo a grande cabeça de uma estátua masculina em frente a uma placa rachada referente à guerra de 1941-1945
Parte da Ucrânia, agora ocupada pela Rússia: a antiga siderúrgica Azov em Mariupol, destruída em 2022Imagem: Aliança AP Foto/imagem

Estamos à beira de uma guerra nuclear?

No entanto, na sua opinião, a nova doutrina certamente não significa que a Rússia já esteja a preparar-se para uma guerra nuclear. Podvig também acredita que é altamente improvável que a Rússia utilize armas nucleares contra a Ucrânia. “Do ponto de vista militar, não faria sentido, porque não mudaria a situação na linha da frente. É preciso compreender que todos os outros países reagiriam de forma extremamente negativa a qualquer destacamento deste tipo”.

O documento apenas reserva o direito de usar armas nucleares nesta ou naquela situação, diz Podvig. “Não diz em lugar nenhum que ‘vamos usá-los’ ou que ‘somos obrigados a usá-los’. Tudo fica ao critério de quem os implanta.” Podvig descreve-o como um documento declarativo para o mundo exterior, com o objectivo de explicar a todos os potenciais adversários como a Rússia vê o papel das armas nucleares na garantia da sua própria segurança.

Mensagem para o Ocidente

Estes adversários potenciais também incluem políticos ocidentais – aqueles a quem a nova doutrina nuclear russa se dirige principalmente. Comentários na imprensa russa confirmam isso. Por exemplo, pravda.ru escreve que, embora a doutrina não contenha quaisquer novas disposições radicais, é significativa na medida em que envia um sinal importante a outros estados.

Rússia atualiza política de armas nucleares

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“Os países que estão preparados para entrar em conflito com a Rússia arriscam uma resposta nuclear. Esta doutrina é principalmente uma mensagem para a equipa do presidente cessante dos EUA”, resume o cientista político russo Nikolai Kostikin.

Questionado sobre se havia uma ligação entre a actualização da doutrina e a decisão dos EUA de autorizar o uso de mísseis dos EUA pelo exército ucraniano em território russo, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, evitou responder. A doutrina atualizada foi publicada “no momento oportuno”, disse ele, acrescentando que as instruções foram dadas pelo presidente bem antes disso para que uma nova versão seja preparada.

Este artigo foi traduzido do alemão.



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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