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Santo Daime: padrinho acusado de assédio sexual – 02/11/2024 – Virada Psicodélica

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A principal organização da religião Santo Daime no Brasil, a Igreja Eclética da Fluente Luz Universal (Iceflu), publicou na sexta-feira (01) uma nota sobre acusações de abuso sexual e trabalhista contra um de seus mais conhecidos padrinhos, o psicólogo Paulo Roberto Souza e Silva, líder da igreja Céu do Mar, no Rio de Janeiro.

Corre em sigilo na Justiça do Trabalho do Rio um processo contra o padrinho, que ainda não compareceu a nenhuma audiência. Quem move a ação é uma jovem de 33 anos, funcionária e frequentadora da Céu do Mar expulsa da igreja quando veio à tona na congregação que o padrinho mantinha relacionamento sexual com ela.

Cartas e manifestos sobre o caso já vinham circulando em caráter privado, nas últimas semanas, em meio à comunidade daimista dos Estados Unidos. Em reação às alegações, no dia 9 de outubro o Centro Eclético de Fluente Luz Universal Rita Gregório de Melo – América Norte (Ceflurgem-AN) divulgou comunicado suspendendo Paulo Roberto, como é conhecido, de cerimônias norte-americanPaulo Roberto fundou em 1982 a Céu do Mar, primeira igreja do Santo Daime fora da Amazônia. Tornou-se depois um dos principais difusores da religião nos EUA, para onde viaja com frequência.

Estima-se que haja talvez 20 mil membros do Daime, metade disso no Brasil, onde existe pelo menos uma centena de igrejas. Fora do país se realizam trabalhos da religião em cerca de 50 países, entre eles os EUA, onde os seguidores seriam da ordem de 600 pessoas.

Embora a igreja-madrinha no Céu do Mapiá (AM), Iceflu (Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal), exerça liderança espiritual sobre outros templos, centros e pontos do Daime, não há controle estreito. A religião passou por um processo de congregacionalização, conferindo crescente independência das filiais em relação à sede amazônica de origem.

Para iniciar os trabalhos no Rio, Paulo Roberto recebeu o chá do daime, ou ayahuasca (bebida contendo a substância psicodélica dimetiltriptamina, DMT), do padrinho Sebastião, criador do Céu do Mapiá, no Acre. Casou-se com uma filha do líder, madrinha Nonata, com quem conduz a Céu do Mar.

O chá do daime, ou ayahuasca, é considerado um sacramento. Embora legal para uso religioso no Brasil, alguns poucos líderes de religiões ayahuasqueiras têm sido acusados de se valer de sua capacidade de tornar as pessoas mais sugestionáveis para abusar de fiéis.

Em casos de abuso, o código de ética da Iceflu recomenda que o problema seja levado ao padrinho da igreja em questão. No caso, o líder da Céu do Mar é o próprio suspeito de assédio.

Com essa descentralização, torna-se difícil presumir que a igreja, formalmente, tenha abafado os casos. Até porque já houve ao menos uma investigação e uma sanção contra Paulo Roberto, 17 anos atrás, nos EUA.

O mesmo Ceflurgem iniciou em dezembro de 2007 a investigação. Um grupo de estudo reunido pelo centro produziu um relatório do conselho chamado Sínodo de Protetores, datado de 11 de janeiro de 2008, com assinaturas de nove pessoas. A Folha recebeu duas mensagens de email, de fontes daimistas independentes, com textos idênticos do relatório, reconhecido como autêntico por um dos signatários.

“Constatamos que há a aparência, neste caso, de má conduta sexual numa relação ministerial. Comportamento abusivo pode ser inferido das circunstâncias. Pessoas numa relação ministerial devem estar conscientes de que a aparência de impropriedade pode ser tão convincente ou condenável quanto a própria impropriedade”, diz o relatório.

“Por causa do respeito e mesmo da reverência com que muitas pessoas buscam ajuda de ministros da Igreja, há um desequilíbrio de poder e uma vulnerabilidade do fiel inerentes à relação ministerial que nulificam até atividades sexuais consentidas, mesmo que a pessoa seja um adulto.”

O documento informa que outros relatos de comportamentos indevidos de Paulo Roberto chegaram ao Sínodo. O grupo considerou que parecia haver um padrão de abuso que não poderia ser ignorado, desconsiderado ou tolerado no futuro.

Não foi bem o que aconteceu. A suspensão do padrinho não durou muito. Um ou dois depois ele reassumiu a condução de cerimônias nos EUA e voltou a receber doações de fiéis norte-americanos para a Céu do Mar e o centro espiritual Guananshe Sanctuary que sua família criou em Ilhéus (BA).

Procurado por ligação a seu número de celular e por WhatsApp, Paulo Roberto não respondeu até o fechamento desta nota.

Nos próximos posts o blog divulgará a íntegra das notas do Iceflu e do Ceflurgem.


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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



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Ufac e Fiocruz fazem oficina sobre leishmaniose em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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A Ufac e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram a oficina Epidemiologia, Vigilância e Controle da Leishmaniose Cutânea. O evento ocorreu em 1 de junho, no auditório do Instituto Federal do Acre, em Sena Madureira (AC), reunindo 110 agentes comunitários de saúde e 20 agentes de combate às endemias.

A programação contou com palestras e discussões sobre aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da doença, abordando ciclos de transmissão, vetores e reservatórios envolvidos na manutenção da chamada “ferida brava”, nome popular da leishmaniose cutânea. Além disso, foram realizadas atividades práticas com o uso de lupas e microscópios, permitindo aos profissionais a observação de características dos vetores e compreensão dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico da doença.

Com mais de 11 mil casos registrados na última década, o Acre ocupa posição de destaque no cenário nacional da doença. Em 2025, o município de Sena Madureira foi classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para transmissão da leishmaniose cutânea, apresentando média anual de 64 casos.

A oficina integra as atividades do projeto de ensino, pesquisa e extensão EpiLeish-Acre, que na Ufac é coordenado pelo professor Francisco Glauco de Araujo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza. Para o pesquisador Leandro Siqueira, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz, ações educativas para enfrentar a doença são fundamentais. “Profissionais bem capacitados conseguem orientar de forma mais eficaz a população, contribuindo para o diagnóstico e tratamento precoce”, ressaltou.

O secretário municipal de Saúde de Sena Madureira, Willisson Viana, destacou a relevância das parcerias institucionais. “Buscamos fortalecer parcerias com instituições de referência, como a Fiocruz e a Ufac, que contribuem significativamente para o desenvolvimento técnico das nossas equipes.”

O diretor da Vigilância em Saúde de Sena Madureira, Serginey Amorim, disse que a capacitação fortalece ações de saúde pública. “Com conhecimento atualizado e capacitação contínua, ampliamos a prevenção, melhoramos o diagnóstico precoce e fortalecemos as ações de controle da doença em nosso município.”

A iniciativa foi organizada pelos Laboratórios de Patologia e Biologia Parasitária e de Entomologia Médica, da Ufac, e pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz.

 



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