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Uso de telemedicina em UTI reduz taxa de mortalidade – 05/01/2025 – Equilíbrio e Saúde
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Cláudia Collucci
Um projeto de telemedicina em UTI (unidade de terapia intensiva), liderado pelo InCor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas de São Paulo, com apoio do Ministério da Saúde, mostra melhoria nas taxas de mortalidade e redução do tempo de permanência do paciente em terapias intensivas do SUS (Sistema Único de Saúde).
A iniciativa, chamada de TeleUTI Conectada, envolve capacitações virtuais e presenciais, discussões clínicas e monitoramento remoto de UTIs públicas em cinco regiões do país, a partir de dados em tempo real de sinais vitais, de ventilação mecânica e de medicamentos infundidos, entre outros parâmetros.
De acordo com dados preliminares do projeto, houve melhoria de 40%, em média, na razão de mortalidade padronizada (SMR) das oito UTIs participantes em relação à média dos hospitais públicos brasileiros (0,83 contra 1,40).
Segundo Carlos Carvalho, diretor da divisão de pneumologia do InCor e da Saúde Digital do HC, a melhoria ocorreu mesmo diante de um cenário de pacientes mais graves atendidos pelas UTIs do projeto.
Nelas, a média do Saps 3 (Simplified Acute Physiology Score), que avalia a gravidade dos pacientes, foi de 62 pontos, o que indica uma gravidade 25% superior à média nacional dos hospitais do SUS —de 46.
Carvalho diz que outro resultado relevante foi uma diminuição do tempo de ventilação mecânica do paciente, o que permitiu uma saída mais rápida da UTI. “Isso acaba liberando vaga para quem estava à espera de um leito no pronto-socorro. No final, é como tivéssemos construído dois leitos a mais.”
Os bons resultados do projeto contrariam de certa forma as conclusões de um estudo publicado em outubro que demonstrou que o uso da telemedicina em UTI não contribuiu com o tratamento de pacientes internados nem reduz o tempo de hospitalização.
Porém, os próprios autores ponderaram que a pandemia ocorreu durante a realização do trabalho, o que pode ter influenciado nos resultados, e que há diferentes formas de fazer telemedicina. Por isso, seria preciso mais pesquisas para encontrar o melhor modelo e perfil de UTI para receber a tecnologia.
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Para Carvalho, a TeleUTI Conectada tem diferenciais em relação ao modelo avaliado no estudo, como oferta de capacitação mais intensiva. Além de treinamento por vídeo, há reuniões virtuais semanais com a equipe médica, fisioterapeutas e enfermagem, discussão clínica de casos mais graves e sugestão de mudanças de conduta clínica.
“A gente viu que só montar vídeos e deixá-los para as equipes assistirem não é a melhor maneira. Não ter discussão de casos nos fins de semana também não é bom. O nosso funcionamento é sete dias por semana.”
Visitas presenciais às UTIs participantes do projeto também foram importantes, segundo ele. “Ensinamos in loco algumas técnicas que as equipes estavam com dificuldades. Alguns queriam discutir mais tratamentos de sepse, outros, ventilação mecânica, e assim por diante”, conta.
O projeto do InCor começou como uma resposta à pandemia de Covid em 2020, período em que muitas unidades públicas entraram em colapso e a taxa de mortalidade disparou. À época, um levantamento da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) constatou que a mortalidade de pacientes com Covid internados em UTIs privadas foi de 30%, enquanto em UTIs públicas chegou a 53%.
Durante a pandemia, o InCor tinha uma teleUTI de adultos que apoiava hospitais públicos no manejo de pacientes críticos. Diante do aumento das taxas de mortalidade materna, foi criado um outro braço, uma teleUTI obstétrica, para atender gestantes e puérperas. Nos primeiros seis meses, a iniciativa reduziu quase pela metade (47,6%) a razão de mortalidade materna nas UTIs dessas instituições.
Carlos Carvalho conta que no período da pandemia foram observados vários entraves que levaram a equipe a buscar uma forma de integrar as informações. Por meio de um outro projeto apoiado pelo governo paulista e empresas de tecnologia, foi desenvolvida então uma forma de conectar os aparelhos da UTI para que esses dados pudessem ser monitorados a distância.
“Conseguimos conectar as bombas de infusão com os remédios que o paciente toma, o monitor multiparamétrico com todos os dados vitais, o ventilador mecânico etc. A gente foi conectando tudo isso e conseguiu colocar, no mesmo segundo, em um painel só. É como se a equipe [do InCor] entrasse no quarto do paciente aonde quer que ele estivesse.”
Os resultados preliminares do projeto foram apresentados no mês passado ao Ministério da Saúde e, devido aos bons resultados, está em discussão uma nova fase ampliada, envolvendo mais 12 UTIs e cinco UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), além de 15 unidades de terapia intensiva voltadas a gestantes graves.
Para o médico intensivista Ederlon Rezende, que coordena um programa da Amib que monitora UTIs brasileiras, a realidade das unidades de terapia intensiva hoje é marcada por falta de organização, de busca de qualidade e de otimização de processos.
“Se você tem um projeto que vai usar a tecnologia para facilitar o trabalho da equipe, e se eu puder associar a isso conceitos de organização, de gestão, de coleta de dados, de uso de indicadores, de treinamento e qualificação das equipes, isso com certeza vai nos ajudar”, afirma.
No entanto, ele lembra que, mesmo com essas tecnologias e o aumento de leitos e de profissionais intensivistas nos últimos anos, a distribuição ainda é muito heterogênea no país. “Falta equidade, acesso para quem depende do SUS, principalmente no Norte e no Nordeste.”
O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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