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Austrália violou direitos de requerentes de asilo em Nauru, regras de vigilância da ONU | Imigração e asilo australianos

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Agence France-Presse and Ben Doherty

A Austrália violou os direitos dos requerentes de asilo detidos arbitrariamente na ilha de Naurudecidiu um órgão de fiscalização da ONU, num alerta a outros países que pretendem terceirizar o processamento de asilo.

O comité de direitos humanos da ONU publicou decisões em dois casos envolvendo 25 refugiados e requerentes de asilo que suportaram anos de detenção arbitrária na nação insular.

“Um Estado Parte não pode escapar à sua responsabilidade em matéria de direitos humanos quando subcontrata o processamento de asilo a outro Estado”, afirmou um membro do comité, Mahjoub El Haiba.

Ao abrigo de uma política linha-dura introduzida há mais de uma década, a Austrália enviou milhares de pessoas que tentavam chegar ao país de barco para centros de detenção na ilha de Manus, na Papua Nova Guiné, e a pequena nação do Pacífico de Nauruque fica mais a noroeste.

As vítimas em ambos os casos apresentaram queixas ao comité da ONU composto por 18 peritos independentes, acusando a Austrália de ter violado os seus direitos ao abrigo de um pacto internacional, em particular no que diz respeito à detenção arbitrária.

A Austrália rejeitou as alegações, insistindo que os abusos ocorridos em Nauru não eram da sua jurisdição.

Mas o comité da ONU destacou que a Austrália organizou o estabelecimento do centro regional de processamento de Nauru e contribuiu para o seu funcionamento e gestão.

El Haiba disse que a Austrália tinha jurisdição porque “tinha controle e influência significativos sobre a instalação regional de processamento em Nauru”.

Vários países europeus têm examinado a possibilidade de acordos semelhantes para externalizar as suas políticas de migração.

O esquema do Reino Unido no Ruanda acabou por ser abandonado depois de ter sido considerado ilegal pelos tribunais e por uma mudança de governo, e o plano da Itália para deter requerentes de asilo em centros na Albânia enfrentou problemas no ano passado, quando um tribunal levantou dúvidas sobre a sua conformidade com a legislação da União Europeia.

As decisões de quinta-feira “enviam uma mensagem clara a todos os Estados: onde há poder ou controlo efectivo, há responsabilidade”, disse El Haiba.

“A terceirização das operações não isenta os estados de responsabilização. As instalações de detenção offshore não são zonas livres de direitos humanos.”

O primeiro caso examinado pela comissão envolveu 24 menores não acompanhados que foram intercetados no mar pela Austrália e transferidos em 2014 para o sobrelotado centro de processamento regional de Nauru.

Eles foram detidos lá “com abastecimento de água e saneamento insuficientes, altas temperaturas e umidade, bem como cuidados de saúde inadequados”, disse o comunicado de quinta-feira.

“Quase todos esses menores sofreram de deterioração do bem-estar físico e mental, incluindo automutilação, depressão, problemas renais, insônia, dores de cabeça, problemas de memória e perda de peso”.

O comité disse que a Austrália não conseguiu justificar por que razão os menores não poderiam ter sido transferidos para centros no continente mais adequados para indivíduos vulneráveis.

A comissão avaliou separadamente o caso de um requerente de asilo iraniano que chegou de barco à Ilha Christmas com vários familiares em Agosto de 2013 e foi transferido sete meses depois para Nauru.

A mulher foi reconhecida como refugiada pelas autoridades de Nauru em 2017, mas não foi libertada. Em novembro de 2018, ela foi transferida para a Austrália por motivos médicos, mas permaneceu detida em várias instalações do país, disse o comitê.

pular a promoção do boletim informativo

Determinou que a Austrália não conseguiu demonstrar que a detenção prolongada e indefinida da mulher era justificada.

O comité apelou à Austrália para compensar as vítimas e tomar medidas para garantir que violações semelhantes não se repitam.

O comité não tem poder para obrigar os estados a seguir as suas decisões, mas as suas decisões têm peso na reputação.

O governo australiano, em correspondência com o comité da ONU, disse que as queixas eram inadmissíveis porque a Austrália não era responsável pelo tratamento dos requerentes de asilo ou refugiados em Nauru.

Mas disse que “trabalha em estreita colaboração” com o governo de Nauru “para apoiar a prestação de serviços de saúde, bem-estar e apoio”.

O Guardian Australia solicitou comentários do Departamento de Assuntos Internos da Austrália.

Jana Favero, vice-chefe executiva do Centro de Recursos para Requerentes de Asilo, disse que a decisão do comitê de direitos humanos “confirma o que temos dito e tem sido abundantemente claro há uma década – que a Austrália tem o dever de cuidado e responsabilidade para com aqueles que buscam segurança em nossas costas”.

Ela disse que sucessivos governos australianos tentaram fugir às suas responsabilidades, banindo pessoas para o exterior.

“Homens, mulheres, crianças, famílias, todos sofreram e continuam a sofrer nas mãos de políticos australianos obcecados em punir pessoas que procuram segurança e fingindo que a nossa responsabilidade termina quando enviamos pessoas para o exterior.”

O centro de processamento em Nauru continua sendo o único “duradouro” local offshore, depois que o centro de detenção na remota ilha de Manus, em Papua-Nova Guiné, foi ordenado a fechar pelo supremo tribunal daquele país.

A política e práticas de processamento offshore da Austrália têm sido consistentemente criticadas pelo Nações Unidasgrupos de direitos humanos e pelos próprios refugiados.

Pelo menos 12 pessoas morreram nos camposinclusive sendo assassinado por guardasatravés negligência médica e por suicídio. Os psiquiatras enviados para trabalhar neles descreveram as condições como “inerentemente tóxico” e semelhante a “tortura”.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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