NOSSAS REDES

ACRE

Empresas fazem até rodízio de equipe por falta de pessoal – 02/11/2024 – Mercado

PUBLICADO

em

Douglas Gavras

Reflexo de um mercado de trabalho aquecido, a falta de mão de obra qualificada no país tem desafiado diferentes setores a buscarem alternativas para manter e aumentar a produção.

Em setembro, o Brasil abriu 247.818 vagas formais, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com saldo positivo em todos os estados.

O cadastro considera apenas vagas formais e mostra que o setor de serviços liderou essa abertura de oportunidades, com 128,4 mil postos, seguido pela indústria (59,8 mil), comércio (44,6 mil) e construção (17 mil). A agropecuária perdeu 2.000 postos.

Mas agora, assim como na década passada, a construção civil é um dos primeiros a sentir os efeitos da falta de trabalhadores capacitados, e a série histórica de uma sondagem feita com empresas pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) ajuda a dimensionar o problema.


Em setembro deste ano, 29,4% dos empresários da construção apontaram a escassez de mão de obra qualificada como fator que limita o desenvolvimento de negócios —é o patamar mais alto desde o fim de 2014.

Os anos pré-crise de 2014 a 2016 foram de aquecimento do mercado imobiliário —e a consequente falta de trabalhadores. Os jornais na época registravam oferta de vagas para engenheiros recém-formados, a vinda de profissionais de outros países e aumentos salariais para toda a cadeia da construção.

“Desde o ano passado, a falta de mão de obra qualificada voltou a ganhar relevância e se manteve como limitação para as empresas”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre.

“O período até 2013 foi de grande crescimento do setor imobiliário, com Minha Casa, Minha Vida, obras da Copa e das Olimpíadas. Era uma economia que estava crescendo. Agora, o ritmo é mais lento, mas as preocupações do setor começam a crescer.”

Em julho, a instituição perguntou ao setor o que as empresas estavam fazendo para contornar a dificuldade de contratação. No total, 33,1% disseram ter aumentado a remuneração, 51,5% investiram em treinamento e 46% adotaram rodízio de equipes, deslocaram trabalhadores entre obras, por exemplo.

De acordo com Gustavo Siqueira, vice-presidente de recursos humanos para América Latina na fabricante para o mercado de construção Saint-Gobain, o foco está em reter e atrair profissionais qualificados por meio de um ambiente de trabalho positivo, desenvolvimento de colaboradores e ações concretas.

O grupo oferece trilhas de desenvolvimento contínuo para competências técnicas.

“Buscamos sempre manter as contratações como prioridade em nossas atividades, mesmo trazendo cada vez mais tecnologia e inovação ao setor. Nossas estratégias de desenvolvimento de pessoas não só preenchem as lacunas de habilidades, mas também contribuem para a retenção e motivação da nossa equipe”, diz.

Segundo Tatiane Cardoso de Paula, diretora de RH da Saint-Gobain Canalização, o grupo também tem investido em treinamentos e iniciativas de desenvolvimento, entre as quais um programa de mentoria para jovens talentos da organização.

Apesar do problema, Castelo ressalta que é preciso olhar em perspectiva e considerar que o mercado de trabalho aquecido reflete o contexto de investimentos já realizados.

“A tendência é que a construção permaneça aquecida ainda por algum tempo, mas o aperto nas regras de crédito imobiliário e o aumento dos juros devem ter um efeito de arrefecimento lá na frente.”

O mercado de consumo mais forte também anima as calçadistas, apesar de uma redução prevista no comércio internacional com a queda das compras da Argentina e a concorrência com os asiáticos.

“O nosso problema também é a falta de mão de obra capacitada”, diz João Marcelo Fernandes, gerente de Recursos Humanos da Kidy. Após o período crítico durante a pandemia, ele conta que a marca produz 16 mil pares por dia, e surgiu a necessidade de contratar pessoal.

Com isso, a fabricante optou por renovar cargos, deixando-os mais atrativos para que os funcionários mais novos permaneçam na empresa e busquem posições internas, além de contar com um programa de capacitação do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

“Temos planos para 40 novos aprendizes, com um programa de apadrinhamento.” As medidas para contornar a falta de profissionais com múltiplas capacitações ainda incluem formar auxiliares que em determinado período vão para as mesas de corte, serigrafia e injeção. Também há incentivo à formação universitária da equipe, diz.

Dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) a partir do Caged mostram que o setor encerrou agosto com saldo positivo de 12,4 mil postos.

“A falta de pessoal capacitado está acontecendo no nosso e em outros setores. Quando há uma dificuldade de contratação, o problema tem origens positivas, mas pode ser uma dor de cabeça”, diz o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira.

“É similar ao que ocorreu até 2013, o que mudou é que hoje há também possibilidade do candidato ir trabalhar nas plataformas digitais —e isso é uma concorrência para indústria de transformação.”

“Com a indústria 4.0, ocorreu um boom tecnológico e a necessidade de mão de obra que nós temos, ligada à tecnologia, é a mesma que o supermercado e o mercado financeiro têm”, diz João Alfredo Delgado, diretor-executivo de Tecnologia da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

A indústria passou a concorrer com todos os setores pelo mesmo tipo de profissional, avalia.

Segundo ele, as empresas do setor têm investido em programas de aprendizagem industrial e buscam se aproximar da mão de obra mais jovem. “Não sei se a geração Z quer uma carreira de longo prazo, mas ela ainda tem uma visão distorcida da indústria. Vejo pelos meus filhos, que adoram jogos, mas não percebem que o maior parque de diversões é a indústria, onde eles podem receber para programar robôs reais.”



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

e9759ed7-c6b3-4fc8-af9a-cc571768d53c.jpeg

O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.

Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”

Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.

O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.

Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.

Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil-i.jpg

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.

A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.

O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.

O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.

O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.

“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS