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LA Times não apoiou Kamala por decisão de dono do jornal – 27/10/2024 – Mundo

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Soumya Karlamangla, Shawn Hubler

Enquanto o país contava os dias para uma eleição amargamente polarizada neste outono, o conselho editorial do Los Angeles Times elaborou um esboço detalhado para um apoio que parecia óbvio a uma instituição que se inclinou à esquerda por gerações: a vice-presidente Kamala Harris deveria ser a próxima presidente dos Estados Unidos.

Nativa da Califórnia e residente de Los Angeles, Kamala não era só uma figura geracional unificadora e inspiradora, na visão dos membros do conselho, mas também um importante baluarte entre Donald Trump e as instituições democráticas. Eles não sabiam, no entanto, que um grupo diferente e mais poderoso havia se reunido —a família de Patrick Soon-Shiong, o proprietário do jornal— com planos bem diferentes para a voz da publicação.

Nesta semana, o bilionário da biotecnologia que comprou o jornal em 2018 por US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) seguiu esses planos com pouca explicação interna ou pública, vetando abruptamente o apoio planejado e informando ao conselho por meio de um intermediário que o Los Angeles Times não faria nenhuma recomendação na corrida presidencial.

Por dias, leitores de um sul da Califórnia amplamente liberal especularam com raiva sobre a decisão, que foi vista como um favor a Trump e um voto de desconfiança em Kamala.

Milhares de leitores cancelaram assinaturas. Três membros do conselho editorial renunciaram. Quase 200 funcionários assinaram uma carta aberta à direção exigindo uma explicação, reclamando que a decisão tão próxima da eleição minou a confiança da organização de notícias com os leitores. O The Time’s News Guild, sindicato da Redação, protestou. Em postagens nas redes sociais e entrevistas subsequentes com sua própria organização de notícias, Soon-Shiong definiu a escolha como uma tentativa de neutralidade.

Mas em uma declaração surpreendente no sábado, sua filha, Nika Soon-Shiong, 31, uma ativista política progressista que frequentemente foi acusada de tentar interferir na cobertura do jornal, disse que a decisão foi motivada pelo apoio contínuo de Kamala Harris a Israel na guerra em Gaza.

“Nossa família tomou a decisão conjunta de não apoiar um candidato à Presidência. Esta foi a primeira e única vez que estive envolvida no processo”, disse Nika, que não tem papel formal no jornal, em uma declaração ao The New York Times. “Como cidadã de um país que financia abertamente um genocídio, e como uma família que experimentou o apartheid sul-africano, o apoio seria uma oportunidade de repudiar justificativas para a ampla perseguição de jornalistas e a guerra contínua contra crianças.”

Nos últimos seis anos, escritores e editores têm se irritado cada vez mais com a interferência de Patrick Soon-Shiong, 72, e sua família na Redação, onde os proprietários são geralmente vistos menos como proprietários com o direito de impor suas visões pessoais e mais como guardiões de um bem público.

Em janeiro, Kevin Merida renunciou ao cargo de editor-executivo após entrar em conflito com Soon-Shiong devido a um artigo não publicado sobre um conhecido do proprietário do jornal, além de outros conflitos na Redação. Apenas algumas semanas depois, a publicação realizou suas demissões mais abrangentes em mais de uma década, cortando 115 jornalistas em um movimento que reduziu a Redação em mais de 20%.

Mas a disputa sobre o apoio —ecoada dois dias após o The Washington Post anunciar que também não faria endosso de nenhum candidato— levantou novas questões urgentes sobre o que motivou a decisão.

Falando esta semana no canal de notícias a cabo Spectrum, que regularmente veicula conteúdo do Los Angeles Times, Soon-Shiong foi questionado sobre uma possível motivação política. “Eu quero desesperadamente que todas as vozes sejam ouvidas no lado da opinião”, disse ele. Ele disse que não sabia se os leitores o viam ou à sua família como ultraprogressistas ou não. “Mas eu sou independente.”

Em entrevista dada a um de seus próprios repórteres na sexta-feira (25), Soon-Shiong disse que sua posição não se baseava em nenhuma questão única, nem que pretendia, ao não apoiar, favorecer Kamala ou Trump. “Devemos ser uma organização que se levanta e diz os fatos”, apresentando visões de todo o espectro político, disse ele. “Acho que o país precisa disso desesperadamente.”

Vários editores seniores do Times disseram que não foram informados sobre as razões para a decisão de Soon-Shiong, mas observaram que ele frequentemente criticava o governo Biden, se gabava de ter jantado com Trump após a vitória de 2016 e frequentemente tem aprovações pendentes na FDA (agência americana que regula alimentos e medicamentos).

Uma pessoa com potencial conhecimento da situação é a atual editora-executiva da publicação, Terry Tang, que substituiu Merida. Em uma ruptura com a prática na maioria das grandes organizações de notícias, que têm uma separação clara entre notícias e opinião, Tang, que havia sido editora da página de editoriais, assumiu a supervisão de ambos os departamentos quando se tornou editora-executiva. Antes, trabalhou como editora no The New York Times por 20 anos.

Tang não respondeu a pedidos de comentário e não parece ter se dirigido à equipe sobre o assunto.

Mariel Garza, que era editora de opinião do jornal e renunciou em protesto na terça-feira, disse que foi pega completamente de surpresa. Soon-Shiong, disse ela, foi informado no final de setembro que o conselho planejava apoiar Kamala, uma escolha que não surpreendia, dado o histórico de críticas do Times a Trump e suas posições editoriais geralmente liberais. Kamala é casada há mais de uma década com um advogado de entretenimento de Los Angeles, Doug Emhoff, e mantém uma casa no sofisticado bairro de Brentwood, em West Los Angeles.

Garza disse que ficou cada vez mais preocupada à medida que as semanas passavam sem a aprovação do apoio pelo proprietário. Duas semanas atrás, disse ela, soube de Tang que Soon-Shiong havia decidido não emitir um apoio. Ela disse que Tang lhe contou que ele não havia dado uma justificativa clara.

Garza, que foi a primeira a renunciar no conselho editorial, disse que não teve escolha. “Este é o nosso dever”, disse ela em uma entrevista na sexta-feira. “Este é um momento assustador, e todos precisamos ser corajosos, e não nos acovardar.”

No final da semana, mais dois membros do conselho editorial, Karin Klein e Robert Greene, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2021, também anunciaram sua saída. Todos contestaram vigorosamente a afirmação de Soon-Shiong de que eles haviam escolhido permanecer em silêncio.

“Não se trata de discordar do proprietário”, disse Klein, autora e especialista em educação que está no Times há 35 anos, 22 deles como editorialista. “Fazer isso algumas semanas antes da eleição é realmente fazer um editorial —um editorial fictício e invisível que envia uma mensagem de que temos dúvidas sobre Kamala.”

Repórteres e editores têm se irritado com telefonemas, e-mails e postagens nas redes sociais oferecendo perguntas e sugestões sobre a cobertura de notícias tanto de Soon-Shiong quanto de sua filha. No passado, ela criticou a cobertura da publicação sobre crime, policiamento e a guerra de Israel em Gaza, entre outras questões.

Nika Soon-Shiong havia sinalizado as preocupações sobre a política de Israel de Kamala em uma postagem nas redes sociais no início desta semana, em referência à decisão do LA Times. “Isso não é um voto para Donald Trump. Isso é uma recusa em APOIAR um candidato que está supervisionando uma guerra contra crianças”, ela postou no X.

Mas até sua declaração ao The New York Times no sábado, ela havia permanecido em silêncio sobre como interpretar a publicação. “Pelo bem dos vivos e em nome dos mortos, pelo bem da nossa humanidade coletiva —precisamos elevar o padrão moral”, disse ela.

Em sua própria postagem nas redes sociais esta semana, Soon-Shiong rebateu a versão dos eventos de Garza em torno da decisão de apoio. Ele escreveu no X que havia orientado o conselho editorial a comparar as políticas de cada candidato e deixar que os leitores decidissem quem escolher. “Em vez de adotar esse caminho como sugerido, o Conselho Editorial optou por permanecer em silêncio, e eu aceitei a decisão deles”, declarou.

No sul da Califórnia, líderes cívicos expressaram indignação com o que muitos consideraram uma abdicação de responsabilidade por parte de um importante veículo de notícias no estado mais populoso do país.

“Os jornais servem como a consciência cívica para comunidades em todo o país. Nesse papel, eles têm a capacidade de falar a verdade ao poder”, disse Austin Beutner, um financista local que ocupou várias posições de liderança de destaque em Los Angeles, incluindo um breve período há uma década como editor e diretor executivo do Los Angeles Times. “É uma perda terrível para a sociedade quando eles abdicam dessa responsabilidade.”



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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