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novo modelo de direitos de transmissão pode gerar desigualdade

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A taça do Campeonato Brasileiro (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Escrito por Mariane Ribeiro

O modelo de venda dos direitos de transmissão do Brasileirão foi alterado para 2025 e tem gerado dúvidas sobre qual será o impacto no futebol nacional e nos clubes, em um embate que envolve duas ligas paralelas.

Apesar das muitas tentativas de formar uma liga única que negociasse o melhor cenário possível para todos os clubes, a união não se concretizou. Agora, as negociações estão sendo feitas por dois grupos diferentes: Libra (Liga do Futebol Brasileiro) e LFU (Liga Forte União).

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A questão é que o Brasileirão conta com clubes em situações financeiras bem distintas. Alguns com contas em dia; outros com grandes dívidas. Uns sob o comando de SAFs; outros sob o modelo tradicional de administração que reinava absoluto até pouco tempo atrás.

Caso dê certo, pode ser o início da construção de um futuro com diferenças menores entre os clubes e um futebol de maior qualidade. Mas, se os dois grupos não conseguirem valores semelhantes ou não fizerem distribuições equivalentes, a discrepância entre eles poderá aumentar a cada ano, com times tendo ainda mais dificuldades para pagar dívidas e sem condições de montar elencos com o padrão de outros concorrentes.

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O que sabemos até o momento

Composta por oito times da Série A (Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo e Vitória), e um da Série B (o Santos), a Libra optou por vender seus direitos de transmissão para o Grupo Globo. Por conta do seu número de integrantes, esta liga terá, em média, quatro jogos como mandante por rodada.

Arte Clubes integrantes da Libra
Clubes integrantes da Libra (Foto: Arte Lance!)

O contrato, que irá de 2025 a 2029, dá à Globo exclusividade de transmissão dos jogos desses times como mandantes em todas as plataformas (TV aberta, TV fechada, streaming e PPV).

O acordo entre Libra e Globo estipulava, inicialmente, que a empresa pagaria R$ 1,3 bilhão por ano à liga. No entanto, com a ida do Corinthians para a LFU, esse valor sofreu redução de 11%, ficando em R$ 1,17 bilhão. 

O montante, no entanto, ainda não é certo, uma vez que há uma cláusula no acordo que determina que, para receber esse valor, a Libra precisará ter nove times na Série A no ano que vem. Caso isso não aconteça, o valor cairá para cerca de R$ 1 bilhão, anualmente.

Há ainda que se somar o valor de arrecadação com o PPV. Atualmente, os clubes recebem 32% do total arrecadado. A partir de 2025, essa porcentagem passará para 40%, segundo apuração do Lance!. A expectativa da Libra é receber, pelo menos, mais R$ 200 milhões com essa parte do acordo.

Na Libra, a divisão das receitas entre os clubes será feita da seguinte forma:

40% igualitário, 30% por desempenho no campeonato e 30% por audiência auferida.

Já a LFU conta, no momento, com Corinthians, Internacional, Cruzeiro, Fluminense, Vasco, Athletico-PR, Atlético-GO, Botafogo, Fortaleza, Cuiabá, Criciúma e Juventude, da Série A, e outros 19 clubes em divisões inferiores. O que dá a ela cerca de seis jogos como mandante por rodada.

Arte Clubes integrantes da LFU
Clubes integrantes da LFU (Foto: Arte Lance!)

O Lance! apurou que, até o momento, apenas um contrato foi assinado, mas que outro já estaria apalavrado para o período que vai de 2025 a 2027.

O contrato que já está assinado é um pacote vendido à Record e ao YouTube para a transmissão de 38 jogos do campeonato, ou seja, um jogo por rodada. O acordo é de R$ 380 milhões por ano, o que dá R$ 10 milhões por partida.

O segundo é um pacote vendido à Amazon, também para a transmissão de 38 jogos, um por rodada. Neste, o valor acertado foi de R$ 323 milhões pelo todo, ou seja, R$ 8,5 milhões por partida. 

Assim, a LFU já teria garantido cerca de R$ 700 milhões por ano, restando quatro jogos por rodada para serem vendidos. 

Fontes ligadas à Liga Forte União (LFU) afirmaram ao Lance! que o grupo acredita que conseguirá uma arrecadação anual de, pelo menos, mais R$ 1 bilhão com as partidas remanescentes, que poderão ser vendidas juntas ou em pacotes separados e para diferentes plataformas (TV aberta, TV por assinatura e streaming).

Na LFU, a divisão dos valores arrecadados serão divididos em percentuais diferentes aos da Libra. Serão 45% de forma igualitária, 30% conforme a posição na tabela e 25% de acordo com a audiência.

Arte Comparação entre os modelos de distribuição de recursos
Comparação entre os modelos de distribuição de recursos (Foto: Arte Lance!)

O ponto que pode gerar desequilíbrio

Se os acordos de venda dos direitos podem gerar arrecadações próximas entre as duas ligas, há um outro aspecto que pode contribuir para a desigualdade no futuro: a venda antecipada de direitos comerciais.

Diferentemente da Libra, que não fez nenhum acordo do tipo, alguns clubes da LFU venderam antecipadamente 20% dos seus direitos comerciais por 50 anos a um grupo de investidores. Deles, parte já recebeu uma parcela deste valor. 

O Lance! apurou que a LFU, entendendo que essa porcentagem poderia de fato impactar negativamente o futuro econômico dos clubes do grupo, está negociando para reduzi-la para 10%. Os membros que já receberam parte do pagamento fariam uma espécie de “recompra” de 10%, deixando de receber parcelas que ainda não foram pagas.

Vale lembrar que nem todos os integrantes da LFU enfrentam esse problema. Clubes como Novorizontino, Ponte Preta, Mirassol, Botafogo-SP e Ituano, que entraram no grupo em abril passado, e o Corinthians, que ingressou em julho, não venderam porcentagem alguma de seus direitos comerciais aos investidores, o que já gera desigualdade dentro da própria Liga Forte União.

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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