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Pescadores vietnamitas presos nas tensões no Mar da China Meridional – DW – 22/11/2024
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Após 16 dias no mar, o capitão Nguyen Thanh Bien e sua tripulação retornaram ao porto de Sa Ky em do Vietnã Província de Quang Ngai sem peixes – apenas ferimentos e traumas, supostamente infligidos pela China, ligadas às forças de “segurança marítima”.
Ele descreveu a provação da tripulação como um ataque violento de 40 homens armados com barras de metal, deixando-o inconsciente.
“O tradutor então nos disse para dirigir o barco em direção ao Vietnã. Eles não nos deixaram nada além de um rastreador para que pudéssemos retornar à costa”, disse Thuong, outro pescador ferido.
De acordo com a South China Sea Chronicle Initiative (SCSCI), um think tank vietnamita, outro barco de pesca vietnamita foi atacado na mesma tarde, e perdeu todos os seus equipamentos e cerca de 3,5 toneladas de peixes.
Respostas diplomáticas aos ataques
Vietnã e Filipinas condenou os ataquesapelando à proteção dos direitos dos pescadores.
“O Vietname está extremamente preocupado, indignado e protesta resolutamente contra o tratamento brutal por parte das forças policiais chinesas aos pescadores e barcos de pesca vietnamitas que operam nas Ilhas Paracel do Vietname”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Pham Thu Hang, num comunicado.
As Filipinas prontamente “condenaram as ações violentas e ilegais das autoridades marítimas chinesas” e descreveram-nas como um “ataque injustificado” num comunicado.
O Conselheiro de Segurança Nacional das Filipinas, Eduardo Ano, afirmou que “os pescadores, como trabalhadores marítimos vulneráveis, merecem proteção – e não danos – no mar”.
No final de Outubro, numa conferência de imprensa, o Vietname solicitou que China“libertar todos os pescadores e embarcações capturados ilegalmente” que se acredita terem sido detidos desde junho.
De acordo com a agência de notícias Reuters, a China reafirmou as suas reivindicações marítimas e apelou a Hanói para “sensibilizar os seus pescadores e garantir que não se envolverão em atividades ilegais nas águas sob jurisdição da China”, disse Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
A China reivindica quase todo o Mar da China Meridional como seu território, apesar de uma decisão de 2016 rejeitar estas reivindicações.
A estratégia da China
“Estes ataques reflectem a estratégia mais ampla da China para coagir outros Estados requerentes à submissão e afirmar o seu domínio no Mar da China Meridional“, disse Nguyen Khac Giang, pesquisador do ISEAS – Instituto Yusof Ishak, em Cingapura, à DW.
Os ataques contra os pescadores vietnamitas também pretendem servir de mensagem a outros Estados reclamantes, acrescentou Nguyen Khac Giang.
“Para as Filipinas, a China está a testar a força e os limites da aliança Filipinas-EUA”, disse Nguyen.
Para o Vietname, estes incidentes servem como um lembrete de que, apesar da melhoria das relações entre as duas nações comunistas, Pequim continua disposta a utilizar tácticas agressivas.
Filipinas não cederão no Mar do Sul da China
“Questões internas, como os problemas socioeconómicos que a China enfrenta, podem impulsionar a assertividade no mar como forma de desviar a atenção do público dos desafios internos”, disse Van Pham, diretor fundador do SCSCI do Vietname, à DW.
O SCSCI também observou que não há provas do envolvimento da Guarda Costeira da China nestes ataques específicos.
“Esta parece ser uma nova tática de zona cinzenta em que ações brutais e desumanas são executadas pelas forças locais, permitindo à autoridade central isentar-se de responsabilidade”, afirmou o SCSCI.
O que sabemos sobre as disputas no Mar da China Meridional?
O pano de fundo dos ataques violentos contra os pescadores é o conflito não resolvido no Mar da China Meridional, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
O conflito tem duas dimensões, como explicou o analista Bill Hayton.
Em primeiro lugar, há uma disputa sobre quem é o legítimo proprietário das ilhas, rochas e recifes no Mar da China Meridional e, em segundo lugar, há uma disputa sobre o que os países podem fazer nos espaços entre essas características.
As reivindicações da China são as mais extensas, uma vez que exige quase todo o mar com a chamada linha de nove traços, uma estrutura que Pequim utiliza para reivindicar a posse de quase todo o Mar do Sul da China.
O conflito é acirrado, uma vez que o Mar da China Meridional serve como uma importante área de pesca para os estados costeiros.
Como resultado, os Estados requerentes entram frequentemente em conflito nestas áreas, com os pescadores apanhados no meio. São frequentemente utilizados para apoiar reivindicações territoriais e afirmar a soberania nacional, mas também são alvo de concorrentes que tentam expulsá-los das águas contestadas que reivindicam.
Mais do que uma disputa por ilhas – o medo do Japão em relação à China
Colaboração diplomática para a proteção dos pescadores
Para proteger os pescadores, Giang e Van disseram à DW que a cooperação multilateral desempenha um papel essencial.
“Primeiro, ASEAN os estados requerentes precisam de reforçar o envolvimento diplomático e acelerar as negociações para o Código de Conduta (CoC) no Mar da China Meridional para estabelecer regras claras e garantir a responsabilização. Segundo, patrulhas conjuntas e gestão cooperativa da pesca poderia ajudar a mitigar potenciais conflitos”, disse Giang.
Além disso, sugeriu o estabelecimento de um canal de comunicação de emergência com as autoridades chinesas e destacou a “iniciativa de transparência” das Filipinas como uma “excelente medida” para aumentar a consciência global sobre os incidentes marítimos.
Van também destacou a Diálogo de Manilaum recente fórum público sobre o Mar da China Meridional, como um “modelo promissor” na promoção da colaboração entre diferentes setores e partes interessadas.
O Vietname, por outro lado, precisa de mais “acções concretas” que “tenham maior peso” do que “declarações verbais fortes”, disse Van, acrescentando que o silêncio prolongado do Vietname sobre o caso dos pescadores detidos na ilha de Hainan desde Junho envia uma mensagem desanimadora aos sua comunidade pesqueira.
Editado por: Keith Walker
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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