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Plebiscito previdenciário de alto risco pode transformar a eleição do Uruguai em seu ‘momento Brexit’ | Uruguai

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Harriet Barber in Buenos Aires

Os uruguaios votam no próximo presidente no domingo, mas a eleição deverá ser eclipsada por outra votação: um plebiscito sobre pensões que os analistas alertaram que poderia prejudicar as finanças do país.

Além da escolha do novo presidente, 30 senadores e 99 deputados, o eleitorado também votará em dois referendos. A primeira – que surge em resposta aos receios crescentes sobre o crime organizado e a segurança pública – permitiria rusgas policiais nocturnas às residências. Mas é o segundo que domina as manchetes: um referendo sobre pensões que anularia as reformas recentes, reduziria a idade de reforma em cinco anos, vincularia as pensões ao salário mínimo e sucatear privado gestores de fundos de pensão.

Os defensores dizem que isso redistribuiria a riqueza e tornaria as pensões mais generosas, mas os analistas temem que a medida possa prejudicar as finanças do país e apelidaram-na de “momento Brexit” do país.

“Esta é uma eleição presidencial com um candidato não identificado e o plebiscito sobre a reforma das pensões”, disse Nicolás Saldías, analista sênior da Economist Intelligence Unit. “É uma aposta alta.”

Uruguai é conhecido entre seus vizinhos por sua relativa riqueza, alta renda per capita e grande classe média. O seu compromisso com os mercados livres e a iniciativa privada atraiu tanto empresas financeiras como tecnológicas: O Google começou recentemente a construir um datacenter no sul.

Algumas estimativas sugerem que as reformas das pensões no país em rápido envelhecimento aumentariam o seu défice em US$ 1,5 bilhão e levar a anos de litígios sobre o fim do sistema de pensões privado, que detém mais de 20 mil milhões de dólares em poupanças. A perspectiva de aprovação da reforma levou o peso uruguaio a enfraquecer mais de 10% em relação ao dólar desde abril.

Saldías e outros economistas alertaram que a medida também “arriscaria seriamente” o estatuto de grau de investimento do Uruguai. “O Uruguai não tem cobre nem lítio – só tem a sua palavra. Se o país não cumprir isso, estaremos no forno”, disse ele, acrescentando que seria o “momento Brexit” do Uruguai, “atrapalhando o próximo governo”, uma vez que gerencia as consequências.

O referendo, que foi convocado pelos sindicatos e é vinculativo, é contestado pela maioria dos partidos políticos. O atual presidente Luis Lacalle For descreveu-o como “perigoso e prejudicial”; o principal candidato Yamandú Orsi, da Frente Ampla de esquerda, manifestou-se contra; enquanto Álvaro Delgado, da actual coligação de centro-direita, disse que “explodir” a estabilidade económica.

Andrés Ojeda fala à imprensa antes das eleições gerais em Montevidéu, Uruguai. Fotografia: Matilde Campodonico/AP

Os sindicatos argumentam que as mudanças dariam trabalhadores mais dignidade na aposentadoria, aumentando os pagamentos. “Temos pensões escassas no Uruguai. Os aposentados neste país são pobres”, disse o educador José Luis Correa, de 68 anos. disse à Reuters. “Se eles conseguirem eliminar os gestores de fundos de pensão privados, haverá mais para nós e para os futuros aposentados.” O típico pensão mínima mensal em 1º de janeiro era de 18.840 pesos, aproximadamente US$ 450.

O plebiscito sobre pensões também foi criticado por ofuscar outras questões no Uruguai, em particular a pobreza infantil e as baixas taxas de educação. Uma em cada cinco crianças vive na pobreza. Enquanto isso, apenas cerca de metade dos alunos terminam o ensino secundáriouma das taxas mais baixas da América Latina.

“Questões estruturais como as pensões precisam de ser discutidas, mas também precisamos de olhar para questões mais urgentes como a pobreza”, disse Sylvia Ibarguren, membro da Câmara dos Representantes do Uruguai, do partido de esquerda Frente Ampla.

O Uruguai é conhecido há muito tempo como um bastião da democracia, classificado em 14º lugar no mundo pela Unidade de Inteligência Economista em 2023, à frente do Reino Unido com 18, e dos EUA com 29. Os plebiscitos foram usado desde a década de 1990 votar em temas como a privatização dos serviços públicos, leis de anistia, políticas anti-crime e direitos à água.

No domingo, o eleitorado também votará sobre a possibilidade de permitir batidas policiais noturnas nas residências, estimulado pelas crescentes preocupações com o crime organizado e a segurança pública.

Vem como aumento da violência de gangues – em parte alimentada pela mudança nas rotas de contrabando de cocaína – abalou a nação orgulhosamente pacífica. O Uruguai, que tem 3,4 milhões de habitantes, sofreu um registrar 426 assassinatos em 2018, e a violência permaneceu elevada desde então, à medida que gangues de baixo escalão disputam o controle. No início deste mês, um bebé foi morto depois de ter sido baleado três vezes durante uma disputa territorial, enquanto em Setembro seis pessoas morreram depois de um incêndio ter sido definido intencionalmente em uma prisão.

A taxa de homicídios no Uruguai atualmente está em 11 por 100.000mais que o dobro da taxa da vizinha Argentina e do vizinho Chile.

“Os uruguaios veem o seu país como um lugar estável e pacífico”, disse John Walsh, diretor de políticas de drogas do Escritório de Washington para a América Latina. “Em geral, isso permanece verdade há muito tempo – e agora os uruguaios estão compreensivelmente alarmados. Eles têm a sensação de que sua segurança está diminuindo.”

Para as eleições presidenciais em si, os eleitores dizem que a insegurança, o desemprego e o tráfico de drogas são as suas principais preocupações. No entanto, em geral, os analistas dizem que há falta de interesse do público na votação. “Não se trata de mobilizar as pessoas”, disse Saldías. “No geral, o Uruguai está bem, então eles pensam: por que mudar isso?”



Leia Mais: The Guardian

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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Exame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre

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A Coordenação Institucional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT/UFAC) divulga a lista de pedidos de matrícula deferidos pela Coordenação, no âmbito do Exame Nacional de Acesso 2026.

LISTA DE PEDIDO DE MATRÍCULA DEFERIDOS

1 ALEXANDRE SANTA CATARINA
2 CARLOS KEVEN DE MORAIS MAIA
3 FELIPE VALENTIM DA SILVA
4 LUCAS NASCIMENTO DA SILVA
5 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA
6 ISRAEL FARAZ DE SOUZA
7 MARCUS WILLIAM MACIEL OLIVEIRA
8 WESLEY BEZERRA
9 SÉRGIO MELO DE SOUZA BATALHA SALES
10 NARCIZO CORREIA DE AMORIM JÚNIOR

Informamos aos candidatos que as aulas terão início a partir do dia 6 de março de 2026, no Bloco dos Mestrados da Universidade Federal do Acre. O horário das aulas será informado oportunamente.

Esclarecemos, ainda, que os pedidos de matrícula serão encaminhados ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC, que poderá solicitar documentação complementar.



Leia Mais: UFAC

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